Concha y Toro sempre foi sinônimo de um roteiro certo: caminhar pelos jardins de Pirque, espiar os vinhedos, entrar nas adegas antigas, ouvir pela enésima vez a história do Casillero del Diablo. Isso continua ali, ninguém tirou.
Mas, desde julho de 2025, quando abriu o Centro del Vino, esse passeio ganhou camadas que simplesmente não existiam antes. Em 2026, já com um ano de rodagem, o espaço virou um dos assuntos mais comentados entre quem organiza roteiros pelos arredores de Santiago.
A pergunta que interessa é outra: para quem já conhece a vinícola, isso muda alguma coisa? E o que, na prática, o visitante encontra hoje que não encontrava antes?
Um museu que não abriu mão dos vinhedos

O Centro del Vino ocupa mais de 12 mil metros quadrados em Pirque, no vale do Maipo, cerca de 20 quilômetros a partir do centro de Santiago. A ideia por trás do projeto foi construir algo com pegada de museu, sem descartar o que já existia: os jardins, os prédios históricos, os vinhedos que dão nome a tudo isso.
Na prática, o guia não fica só recitando dados sobre uvas e barricas. Projeções, som ambiente, objetos de época, obras de artistas chilenos, instalações que convidam a tocar e sentir: o roteiro usa tudo isso para explicar como o território e o clima do Chile acabam parando dentro da taça. É um jeito mais visual de contar a mesma história, o que ajuda bastante quem nunca leu um rótulo na vida.
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A lenda do diabo ganhou efeitos especiais

A adega subterrânea do Casillero del Diablo segue sendo o ponto alto da visita, isso não mudou. O que mudou é como a história chega até você.
A experiência batizada de El Origen de una Leyenda abre com uma instalação sobre a formação geológica do país: montanhas, vulcões, o movimento das placas tectônicas, os vales que produzem vinho espalhados pelo mapa chileno. Daí o visitante segue para as etapas do cultivo das uvas e da produção, com atividades de aroma e cor que ajudam a reconhecer certas nuances na taça (funciona melhor do que parece).
A própria lenda de Don Melchor Concha y Toro, o rumor que ele mesmo espalhou de que o diabo morava na sua adega para afastar ladrões dos melhores vinhos, virou um curta de animação. E o desfecho acontece onde sempre aconteceu: na adega original, uns quatro metros abaixo do solo. Só que agora com luz, som e um clima quase teatral que a visita tradicional nunca teve.
Comida entrou de vez no roteiro
Antes, a visita mais ou menos terminava na degustação. Agora não precisa mais.
O Restaurante Bodega 1883 trabalha com ingredientes chilenos, sem grandes floreios. Já a Gran Barra Bodega 1883, uma barra comprida, de uns 25 metros, serve vinhos ao lado de queijos, embutidos, pescados e outros produtos locais. Dá para combinar o passeio guiado com almoço, jantar, degustações mais elaboradas ou harmonizações específicas, esticando a visita por horas em vez de encaixá-la como uma parada rápida no meio do dia.
O que ficou como estava

Apesar da tecnologia toda, a vinícola não mexeu no que já tinha valor. O parque centenário, a Casa Don Melchor, as adegas históricas: tudo isso segue de pé, integrado ao passeio.
A Plaza Concha y Toro reúne o restaurante, a barra grande e a reconstrução de uma adega de meados do século 19, além de receber exposições de artistas e artesãos chilenos. A Casa Don Melchor, que era a residência de verão da família fundadora, segue reservada para experiências mais exclusivas, eventos e degustações de rótulos especiais.
E tem novidade recente: o Mirador Concha y Toro, assinado pelo paisagista Juan Grimm. É um anfiteatro com vista para os vinhedos, pensado como um ponto de pausa no meio do parque. Bom lugar para sentar um minuto e deixar o resto do roteiro esperar.
Quantas opções de visita existem agora
Antigamente a escolha era simples: passeio tradicional ou alguma degustação avulsa. Hoje o site oficial lista roteiros de durações e propostas bem diferentes entre si.
Em julho de 2026, a visita guiada standard durava cerca de 70 minutos, com degustação de quatro vinhos, parque e Casillero del Diablo incluídos. A versão premium chegava a 120 minutos e acrescentava a passagem pelo museu. Também há opções com degustação das linhas Marqués de Casa Concha, Terrunyo e Cellar Collection, além de passeios noturnos e roteiros com almoço ou jantar.
Na consulta feita naquele mês, os preços começavam em 40 mil pesos chilenos para o standard e 50 mil para o premium. As experiências com gastronomia ou vinhos de linhas superiores iam de 90 mil a 110 mil pesos. Vale checar direto no site antes de fechar qualquer coisa, porque preço e horário mudam. Os guias falam espanhol, inglês e português, o que ajuda bastante o turista brasileiro que passa por Santiago.
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Nem tudo está pronto
Quando o Centro del Vino foi anunciado, a Concha y Toro prometeu abrir também um Centro del Visitante em 2026, com bilheteria, auditório e uma loja de cerca de 700 metros quadrados. Só que a atualização mais recente, de julho de 2026, fala do Mirador como a grande novidade e não confirma se essas outras instalações já estão de pé. Quem quer visitar algo específico, melhor confirmar na hora da reserva.
O que muda para quem já conhece o lugar
Para quem nunca pisou numa vinícola chilena, o Centro del Vino entrega uma introdução bem didática, visual, fácil de acompanhar mesmo sem saber nada de vinho. Para quem esteve lá antes de 2025, confesso que as mudanças pesam o suficiente para justificar uma segunda visita.
A adega antiga continua lá, o parque continua lá, a história da família também. Só que agora tudo isso conversa com instalações sensoriais, gastronomia de verdade, arte espalhada pelo terreno e uma versão bem mais elaborada da história do Casillero del Diablo. A Concha y Toro deixou de ser só uma vinícola que se visita de passagem perto de Santiago. Virou um programa de algumas horas, entre vinho, paisagem, comida e um pouco da história do Chile contada de um jeito que não existia até pouco tempo atrás.
