O maior objeto já encontrado no universo; dá para ver da Terra?

Cássia Alves

agosto 14, 2026

O maior objeto já encontrado no universo
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Quando a gente fala de coisas gigantescas, logo nos vem o universo na cabeça. Com seus planetas de dimensões astronômicas, estrelas maiores que o nosso Sol e até mesmo buracos negros que vira e mexe aparecem nas notícias. Então, claro que a maior estrutura do mundo não poderia vir de outro lugar se não do universo.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, essa estrutura gigante não é algo sólido, redondo e sozinho. O maior objeto que já acharam é, na verdade, uma estrutura enorme feita de galáxias, grupos de galáxias, gás, matéria escura e um monte de espaços vazios.

Você deve estar se perguntando: como assim? Calma, que a gente explica.

Qual é a maior estrutura que existe?

A maior estrutura que existe até hoje é chamada de Quipu e ela é uma das descobertas mais legais da astronomia de hoje. Ela tem entre 1,3 e 1,4 bilhão de anos-luz de comprimento, uma dimensão tão grande que não dá nem para imaginar.

Só para você ter uma ideia, a Via Láctea, que é a nossa galáxia, tem uns 100 mil anos-luz de ponta a ponta. Então, o Quipu é milhares de vezes maior. Incrível, não?

Mas é bom deixar uma coisa clara desde já: quando os cientistas falam no maior “objeto” do universo, não estão falando de uma estrela, um planeta ou um buraco negro. A palavra, aqui, é usada de um jeito mais aberto pra falar de uma estrutura grande no espaço. O Quipu é uma espécie de rede gigante de coisas espalhadas pelo espaço.

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O que é esse tal de Quipu?

Vamos explicar melhor! O Quipu é uma superestrutura no espaço, feita principalmente por grupos de galáxias que se ligam numa rede bem grande.

E, talvez você já tenha até escutado esse nome devido à sua origem indígena. Isso é porque o nome veio de um sistema antigo de cordas e nós que os povos andinos, tipo os incas, usavam pra guardar informações. A comparação faz sentido porque, quando os astrônomos montam um mapa dela, a estrutura parece uma rede comprida, cheia de “galhos” e lugares onde tem mais matéria.

Quipu.
Fonte: Flickr.

Essa descoberta mostra que o universo não é todo igual em todo lugar. As galáxias não estão jogadas por aí, como pontos sozinhos numa folha em branco. Pelo contrário, elas costumam se juntar numa espécie de teia no espaço. Nessa teia, a gente encontra “fios” cheios de galáxias, grupos grandes e, no meio, lugares bem mais vazios, que chamamos de vazios cósmicos.

O Quipu faz parte dessa organização gigante do universo. Ele junta uma quantidade enorme de matéria e chama a atenção pelo tamanho que tem. Os cientistas calculam que a massa dele é centenas de quatrilhões de vezes a massa do Sol. É um tamanho tão fora da nossa realidade que qualquer comparação parece pouca.

Como os cientistas acharam essa estrutura?

Pra achar algo tão grande, os astrônomos não olham só pra uma foto bonita do céu. Eles precisam marcar a posição de milhares de galáxias e grupos de galáxias, medindo a distância, como se movem e onde tem mais matéria. No caso do Quipu, os pesquisadores estudaram grupos de galáxias que foram vistos em levantamentos feitos com raios X.

Os raios X são importantes porque muitos grupos de galáxias têm gás muito quente entre elas. Esse gás solta radiação nessa parte do espectro, o que ajuda os cientistas a ver onde tem muita matéria. Com esses dados, dá pra montar um mapa 3D de pedaços do universo que estão por perto e enxergar padrões enormes que a gente não veria a olho nu.

Foi assim que os pesquisadores viram que o Quipu era uma estrutura com um tamanho gigantesco. Ele não apareceu como uma “foto” qualquer, mas sim depois de muito trabalho de mapeamento e análise de números. Na astronomia, muitas descobertas assim vêm da mistura de telescópios, listas de dados e programas de computador.

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Por que chamam ele de maior objeto do universo?

O Quipu é chamado de maior objeto ou maior estrutura que a gente conhece porque ele ocupa um espaço enorme. O comprimento dele passa de 1 bilhão de anos-luz. Só para se ter uma ideia, é algo com um tamanho que supera, e muito, o de qualquer sistema de estrelas, galáxia sozinha ou grupo de galáxias comum.

Mesmo assim, é bom deixar uma coisa clara. Existem outras estruturas que podem ser ainda maiores e já foram citadas em estudos, como arcos gigantes, anéis de galáxias e grupos de quasares.

A diferença é que nem todas essas estruturas são confirmadas ou entendidas do mesmo jeito. Algumas podem ser só coincidências nos dados, alinhamentos que parecem existir ou grupos que ainda precisam ser mais bem compreendidos. Por isso, quando se fala na “maior estrutura conhecida com certeza”, o Quipu se destacou.

A descoberta do Quipu ajuda a melhorar os modelos e a fazer novas perguntas. Estruturas tão grandes assim são importantes porque afetam as medidas do universo, tipo as que falam sobre a expansão, como a matéria está espalhada e o efeito da gravidade em tamanhos enormes.

Fora isso, superestruturas como essa podem deixar umas marcas bem discretas nas observações da radiação do fundo cósmico de micro-ondas, que é o que sobrou dos primeiros momentos do universo. Elas também ajudam a gente a entender como a matéria se juntou ao longo de bilhões de anos, desde pequenas variações no começo até formar galáxias, grupos e “fios” gigantes.

Dá pra ver o Quipu da Terra?

O maior objeto já encontrado no universo
Imagem: Viajantes do Futuro.

Apesar de ser gigante, a gente não consegue ver o Quipu no céu como vemos a Lua, planetas ou algumas galáxias em fotos de telescópios. Isso acontece porque ele não é um objeto brilhante e compacto. É uma rede enorme, espalhada por um pedaço imenso do espaço, feita de vários grupos separados por distâncias gigantes.

Pra conseguir ver ele, é preciso juntar dados de vários lugares diferentes do céu e calcular onde essas estruturas estão no espaço 3D. É tipo tentar ver o desenho de uma cidade inteira olhando só alguns prédios por vez. Só depois de montar o mapa completo é que a gente percebe o padrão maior.

Isso faz a descoberta ser ainda mais interessante. O maior objeto conhecido do universo não aparece por ser o mais brilhante ou o mais fácil de ver. Ele surge quando a ciência consegue arrumar um monte de dados e transformar pontos que pareciam separados numa imagem maior.