Como seria o futebol sem a televisão? Você não vai acreditar

Cássia Alves

julho 1, 2026

Futebol sem televisão.
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Antigamente, acompanhar futebol era bem diferente. As pessoas dependiam do rádio, esperavam o jornal do dia seguinte para ver uma foto ou ouviam o relato de quem foi ao campo. Mesmo antes da TV, o esporte já mexia com muita gente e criava rivalidades, mas tudo era muito mais local.

Hoje é quase impossível pensar no futebol sem as imagens ao vivo, os replays e os vídeos que aparecem no celular logo depois do gol. A televisão não inventou o futebol, mas transformou o jogo em um negócio bilionário e global. Mas como seria esse esporte se a televisão nunca tivesse existido?

Sem a TV, ir ao estádio seria essencial. Para ver um clássico ou a estreia de um craque, o torcedor teria que estar lá fisicamente. Isso faria com que os clubes dependessem quase totalmente do dinheiro dos ingressos e do comércio local. Os estádios seriam os grandes centros de convivência, e a ligação entre o time e o bairro ou a cidade seria muito mais forte.

Por outro lado, quase ninguém veria times estrangeiros jogando. Um brasileiro ouviria falar de times da Europa ou da Argentina pelo rádio, mas dificilmente veria um jogo inteiro deles sem viajar. Os craques internacionais seriam figuras misteriosas, conhecidas por narrações, fotos e histórias contadas por quem viajou. A fama de um jogador cresceria muito na base da imaginação.

Nesse cenário, o rádio seria o rei. Ele seria o único jeito de quem está longe acompanhar o jogo em tempo real. Os narradores teriam a missão de criar as imagens na cabeça das pessoas. Grandes momentos, como um gol histórico, não seriam revistos mil vezes na tela; eles sobreviveriam na memória de quem estava lá e nas descrições dos locutores. O famoso gol do Pelé na final de 1958, por exemplo, seria algo que a gente saberia que aconteceu, mas nunca veria em câmera lenta ou por vários ângulos.

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A fama dos jogadores também seria menor. Hoje, estrelas como Messi e Cristiano Ronaldo são conhecidas no mundo todo porque aparecem na TV e em comerciais o tempo todo. Sem isso, um craque seria ídolo na sua região ou entre quem acompanha muito o assunto, mas dificilmente seria uma celebridade global. Isso mudaria até as contratações, já que os times teriam mais dificuldade para descobrir talentos em países distantes sem ter vídeos deles.

Financeiramente, o futebol seria mais pobre. Os direitos de transmissão são hoje a maior fonte de renda de muitos clubes. Sem esse dinheiro, a diferença entre times de cidades grandes e pequenas aumentaria, já que quem tem estádio maior ganharia muito mais. Ao mesmo tempo, o esporte talvez não fosse tão dominado por cifras astronômicas, e os horários dos jogos seriam pensados para quem vai ao campo, não para quem está assistindo do outro lado do mundo.

Até a Copa do Mundo seria diferente. A emoção continuaria existindo, mas a repercussão seria lenta. O torcedor ouviria o jogo pelo rádio e só veria as imagens dias ou semanas depois em revistas ou cinemas. Discussões sobre erros de arbitragem seriam baseadas apenas no que as pessoas dizem ter visto, já que não haveria replay para tirar a dúvida.

O futebol sem TV seria menos visual e mais focado na narrativa e na experiência de estar presente. Talvez a gente não discutisse tanto tática ou estatísticas, mas valorizasse mais a memória dos jogos. O esporte continuaria sendo apaixonante e o gol ainda seria o momento máximo, mas tudo seria mais limitado geograficamente. A TV encurtou as distâncias e fez do futebol uma língua que o mundo inteiro fala, mas a força do jogo sempre esteve ali, na emoção de quem acompanha, seja na arquibancada ou colado no rádio.