A cidade portuguesa de pescadores que virou parada obrigatória mundial dos surfistas

Cássia Alves

setembro 29, 2026

A cidade portuguesa de pescadores que virou parada obrigatória do circuito mundial de surf
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Peniche vive de duas identidades que, à primeira vista, parecem não combinar. De um lado, é o porto de pesca mais ocidental de toda a Europa continental, com barcos coloridos entrando e saindo todos os dias. De outro, é conhecida internacionalmente como a “capital da onda”, recebendo desde 2009 uma das etapas mais importantes do circuito mundial de surf.

Uma onda batizada de pipeline da Europa

O centro de tudo é a Praia de Supertubos, também chamada de Praia do Medão, que ganhou fama mundial por suas ondas tubulares. Entre surfistas, o lugar é apelidado de pipeline da Europa, numa referência à famosa onda havaiana, e recebe desde 2009 uma etapa do World Tour da Liga Mundial de Surf, o campeonato mais importante da modalidade.

O evento já foi vencido por nomes como Ítalo Ferreira, Yago Dora e Carissa Moore, cinco vezes campeã mundial, que chegou a dizer publicamente que Portugal tem um lugar especial em sua carreira. Em 2017, a etapa de Peniche chegou a somar 65 milhões de visualizações só no site oficial da competição.

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Por que justamente ali?

A cidade portuguesa de pescadores que virou parada obrigatória do circuito mundial de surf
Peniche.

A explicação para tanta fama tem a ver com a geografia específica da península de Peniche, que tem quase dez quilômetros de perímetro cercado de rochedos e praias voltadas para diferentes direções. Isso significa que quase sempre existe alguma praia da região com condições de vento e ondulação favoráveis, algo raro em outros destinos de surf que dependem de uma única direção de swell para funcionar bem.

Além de Supertubos, praias vizinhas como Consolação, Baleal, Lagide e Almagreira também atraem surfistas o ano inteiro, oferecendo ondas para todos os níveis, do iniciante ao competidor profissional.

Uma economia inteira construída em cima da onda

O impacto do surf na cidade vai muito além do campeonato em si. Nos últimos anos, Peniche se tornou o local com mais surfcamps por metro quadrado de todo o país, segundo levantamentos do setor, com escolas de surf, hospedagens voltadas para o público esportivo, restaurantes e bares surgindo especificamente para atender esse fluxo constante de visitantes apaixonados pelo mar.

Um ex-presidente da câmara municipal chegou a relatar que, quando anunciou pela primeira vez que Peniche seria a “capital da onda”, boa parte da população local ainda não enxergava o potencial daquilo. Anos depois, ficou claro que o surf havia se tornado, ao lado da pesca, um dos maiores motores de divulgação internacional da cidade.

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Duas tradições que convivem na mesma península

O curioso é que essas duas identidades, a pesqueira e a esportiva, não competem entre si. Pela manhã, os barcos de pesca ainda saem cedo rumo ao Atlântico, seguindo uma rotina que existe há gerações. À tarde, o mesmo mar recebe surfistas de todas as partes do mundo em busca da onda perfeita. Peniche parece ter encontrado um jeito de deixar essas duas relações com o oceano existirem lado a lado, cada uma no seu próprio ritmo.