Muitas mulheres nos últimos anos estão fazendo criopreservação de embriões e como podem ver baixo pode funcionar até depois 22 anos, de acordo o novo recorde que aconteceu na Grécia.
Os períodos anteriores mais longos de criopreservação que resultaram em nascimento foram de 18 anos e 3 meses, no Japão, e 17 anos, em Israel.
Especificamente, uma mulher da Atenas que tem 54 anos trouxe à vida uma menina perfeitamente saudável, pesando 3.490 gramas, a partir de um embrião que havia sido criopreservado em 17 de março de 2004.
Segundo a equipe científica, entre a criopreservação e o nascimento transcorreram 22 anos, 5 meses e 23 dias, “período que, de acordo com a revisão da literatura realizada pela equipe, representa a maior duração de criopreservação de material genético autólogo publicada internacionalmente que resultou no nascimento de uma criança.
Depois da tragédia
No entanto, existe uma tragedia nessa historia. A mulher decidiu fazer esse procecimento depois 22 anos porque perdeu o primeiro filho.
Em 2004, essa mulher com o nome Christina, após uma transferência de embrião, teve um menino na primeira tentativa.
Em outubro de 2025, porém, a família perdeu seu filho de 21 anos em um acidente de trânsito. Diante dessa difícil situação pessoal, Christina decidiu utilizar os embriões que permaneciam criopreservados desde o tratamento inicial.
O procedimento foi realizado dentro de um prazo rigoroso, pois a mulher, então com 54 anos, precisou concluir os procedimentos previstos e obter a autorização necessária da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida antes de atingir o limite de idade estabelecido, que é rigorosamente fixado em 54 anos.
No entanto, essa história causou polêmica nas redes sociais já que existiram muitos comentarios negativos como: “Tragédia! Quando a criança estiver com 15 anos vai ficar ansiosa esperando que a qualquer momento poderá perder os pais””
Outro escreveu: “Eu acho um ato de egoísmo”. Eles pensaram que quando os filhos precisarem da ajuda dos pais, eles não vão estar aqui para cuidar?
Alguns chegaram a mencionar que a grande diferença de idade entre a mãe e a criança poderia, no futuro, expor a menina a situações de bullying e possíveis constrangimentos no ambiente escolar.
Para a família, o nascimento da menina representa um novo começo em meio a um período de profunda perda. Segundo os pais, a criança não substitui o filho que perderam, mas trouxe novamente para casa “a esperança e a luz”.
Veja também: 9 hábitos simples que podem mudar sua percepção do mundo
O que deveria saber sobre criopreservação de embriões?

A criopreservação de embriões tem alguns aspectos particularmente interessantes, inclusive porque ajuda a entender como um embrião pode permanecer armazenado durante muitos anos e, posteriormente, ser utilizado em um tratamento de reprodução assistida.
O embrião praticamente entra em uma “pausa biológica”. Na criopreservação, o metabolismo celular é interrompido em temperaturas extremamente baixas. Enquanto permanece adequadamente armazenado, não ocorre desenvolvimento nem envelhecimento biológico do embrião.
O tempo congelado não corresponde a idade biológica do embrião. Um embrião criado em 2004 e transferido para o útero em 2026 continua sendo um embrião formado em 2004. Os 22 anos transcorridos são tempo de armazenamento, não de desenvolvimento.
A vitrificação mudou bastante a técnica. Atualmente, os embriões são geralmente preservados por vitrificação, um processo extremamente rápido de resfriamento que reduz a formação de cristais de gelo dentro das células.
Embriões podem permanecer criopreservados por períodos muito longos. Existem relatos publicados de nascimentos após embriões permanecerem congelados por décadas. Isso torna possível uma situação que parece saída de um filme: um embrião formado há muitos anos pode ser utilizado posteriormente para uma gestação.
O embrião não continua se desenvolvendo enquanto está congelado. Ele não passa de “embrião” para um estágio posterior durante o armazenamento. O desenvolvimento é retomado somente depois que ele é descongelado e transferido para o útero, quando o procedimento é bem-sucedido.
Nem todo embrião sobrevive ao descongelamento. As técnicas atuais apresentam altas taxas de sobrevivência em muitos contextos, mas existe a possibilidade de o embrião não resistir ao processo.
A idade dos pais no momento da criação do embrião continua sendo relevante. Isso é uma diferença interessante em relação à idade da mulher no momento da transferência. O embrião carrega as características biológicas dos gametas utilizados quando foi criado. Portanto, congelá-lo não elimina os efeitos relacionados à idade dos óvulos e dos espermatozoides naquela época.
Embrião congelado e óvulo congelado não são a mesma coisa. No óvulo criopreservado, a fertilização ainda precisa acontecer. No embrião, o óvulo já foi fertilizado e o embrião passou pelas primeiras etapas de desenvolvimento antes de ser preservado.
Questões éticas e jurídicas também existem nesse caso
A criopreservação também cria questões jurídicas e éticas. O que acontece com embriões que não serão utilizados? Eles podem permanecer armazenados, ser destinados a determinadas finalidades previstas pela legislação e pelas regras da clínica, ou ter seu destino decidido pelos responsáveis, conforme as normas aplicáveis. Isso torna o tema muito mais complexo do que simplesmente “congelar e descongelar”.
Existe uma diferença entre tempo de armazenamento e limite legal. Uma coisa é a capacidade biológica de conservar o material em condições adequadas. Outra é por quanto tempo a legislação de determinado país permite que ele permaneça armazenado e quais procedimentos precisam ser cumpridos.
