Todo mundo já viu no final do ano aqueles filmes incríveis com muita neve, decoração de Natal, renas, luzes no céu, Aurora Boreal, Papai Noel e tudo o que tem direito. E, muitos de nós já sonhamos em conhecer de perto um desses lugares. E se eu te dissesseque é possível ver renas bem de pertinho e que a casa do Papai Noel realmente existe? Diante de tanta beleza e de tanta atração, fica até difícil escolher, né?
Mas, não se preocupe, a gente foi aos dois lugares e vamos dar o nosso veredito para vocês.
Tromsø ou Rovaniemi?

Duas cidades brigam pelo título de capital mundial da aurora boreal e nenhuma das duas está errada em reivindicar isso. O problema é que quem pesquisa rápido demais acaba achando que Tromsø e Rovaniemi são praticamente a mesma experiência com sotaque diferente. Não são. E a diferença começa antes mesmo de você chegar lá, na própria posição no mapa.
Tromsø fica a cerca de 69 graus de latitude norte, praticamente debaixo do chamado oval auroral, a faixa do céu onde as auroras aparecem com mais regularidade.
Isso significa, na prática, que mesmo em noites de atividade solar fraca, com o índice KP em zero, ainda dá para ver o fenômeno bem em cima da cabeça, desde que o céu esteja limpo.
Rovaniemi já está mais de 500 quilômetros ao sul, em torno dos 66 graus, sobre a linha do Círculo Polar Ártico. Para as auroras aparecerem lá no alto e não só no horizonte, é preciso que a atividade geomagnética esteja um pouco mais forte.
A NASA e a NOAA vêm sinalizando que o pico atual de atividade solar, iniciado em 2024, deve seguir intenso até meados de 2026, o que ajuda os dois destinos, mas ajuda mais quem depende de auroras fortes para vê-las bem posicionadas, caso de Rovaniemi.
Veja também: A capela na Grécia que guarda a lenda de sete jovens que dormiram por quase 200 anos
Uma diferença que vai bem além

Só que localização não é tudo, e aqui mora uma ironia gostosa. O clima costuma jogar a favor da Lapônia finlandesa. Rovaniemi fica no interior do continente, longe do mar, e por isso tem um frio mais seco e um céu geralmente mais limpo no inverno. Tromsø, por estar na costa, sofre com um clima oceânico mais úmido e mais nublado, ainda que as temperaturas sejam, paradoxalmente, mais amenas por causa do mar. Confesso que essa troca surpreende quem imagina que “mais ao norte” significa automaticamente “mais frio e mais claro”. Não necessariamente.
A paisagem é onde as duas cidades realmente se separam. Tromsø está cercada de fiordes, montanhas que mergulham direto na água e ilhas com nomes que grudam na memória, Kvaløya bem pertinho, os Alpes de Lyngen a uma hora de carro, Senja um pouco mais longe. É um cenário que muda a cada curva de estrada. A Lapônia finlandesa, ao redor de Rovaniemi, aposta em outro tipo de beleza, floresta nevada, lagos congelados, um terreno mais plano que se estende por quilômetros com a mesma cor branca e os mesmos pinheiros carregados de neve. Bonito também, mas repetitivo se comparado à variedade do lado norueguês.
E é justamente esse terreno plano que explica por que a Lapônia domina em atividades como motoneve, passeio de trenó puxado por huskies e visita a renas. Há muito mais operadoras, mais fazendas, preços mais competitivos e a motoneve funciona quase como meio de transporte cotidiano por lá. Tromsø, em compensação, guarda um trunfo que a Finlândia não tem, entre novembro e janeiro é possível avistar baleias e orcas em passeios de barco pela costa, uma experiência que ninguém esquece.
E se tiver criança na viagem?

Se a viagem envolve criança pequena, a balança pende sozinha para Rovaniemi. A cidade é oficialmente o lar do Papai Noel, e o Vila do Papai Noel fica bem em cima do Círculo Polar Ártico, a cerca de dez minutos do centro. Dá para conhecer o Papai Noel, postar uma carta no correio dele e atravessar fisicamente a linha do círculo polar, tudo isso funcionando como plano B perfeito em noites de céu fechado, quando a caçada de aurora simplesmente não rende. Tromsø não decepciona famílias com adolescentes, a cidade é viva, tem teleférico, aquário e as baleias no inverno, mas para a magia natalina com os pequenos, Rovaniemi ganha disparado.
Veja também: O muro que resistiu a 21 anos de guerra e hoje serve de quadra de futebol
Qual custa mais?

No bolso, a diferença também aparece, e de forma consistente. Um passeio guiado para ver aurora custa a partir de aproximadamente 75 a 90 euros em Rovaniemi, podendo chegar a 150 euros em pequenos grupos mais elaborados com fotos incluídas, enquanto em Tromsø o mesmo tipo de passeio começa por volta de 150 euros e sobe rápido para a faixa de 190 a 220 euros.
Um passeio de trenó com huskies parte de cerca de 60 euros na Finlândia contra pelo menos 230 euros na Noruega. Motoneve sai a partir de 103 euros em Rovaniemi, enquanto em Tromsø a atividade é rara e cara, geralmente acima de 200 euros. No restaurante, um prato correto custa entre 25 e 35 euros do lado finlandês e sobe para 35 a 45 euros do lado norueguês, e uma cerveja simples pode custar 12 a 15 euros em Tromsø contra 7 a 8 euros em Rovaniemi.
Diárias de hotel também tendem a ser um pouco mais em conta na Lapônia finlandesa, entre 110 e 200 euros, contra 130 a 250 euros em Tromsø. A exceção fica por conta dos igloos de vidro, item praticamente exclusivo da Lapônia finlandesa, que variam de 300 a 850 euros por noite dependendo da época, com picos em dezembro. Um levantamento brasileiro chegou a valores parecidos na direção contrária ao comparar tours locais, apontando cerca de R$ 1.342,87 por pessoa em Tromsø contra R$ 530,43 por pessoa em Rovaniemi, o que reforça o mesmo padrão, a Noruega cobra mais caro pela experiência.
A passagem aérea saindo do Brasil também pesa, e regiões remotas como Tromsø e a Lapônia finlandesa costumam ficar entre R$ 4.000 e R$ 8.000, especialmente em alta temporada, dependendo da cidade de origem e da época escolhida.
Quando ver a Aurora Boreal?

A melhor janela para tentar ver aurora nos dois lugares vai de fins de setembro a início de abril, com picos de atividade geomagnética perto dos equinócios de setembro e março. Dezembro rende a atmosfera natalina mais bonita, sobretudo em Rovaniemi, mas costuma trazer o pior clima do período. Quem já caçou aurora várias vezes tende a preferir setembro, outubro, fevereiro e março, quando o céu se comporta melhor e as noites ainda são longas sem virar um teste de paciência extremo.
As duas cidades ficam a cerca de 600 quilômetros uma da outra, sem voo direto prático, passando por Oslo ou Helsinki, e o trajeto de carro consome perto de dez horas. Combinar as duas numa mesma viagem curta não costuma compensar, a não ser que o plano seja um road trip mais longo pela região. Melhor escolher uma, entender o que ela promete de verdade, e ir atrás disso sem esperar que a outra cidade apareça de brinde no caminho.
