Quando uma Copa do Mundo começa, milhões de pessoas passam a acompanhar escalações, tabelas, gols e histórias de craques. No entanto, há outro elemento que costuma chamar atenção, especialmente entre crianças e colecionadores: o mascote oficial do torneio.
À primeira vista, esses personagens parecem apenas figuras coloridas criadas para estamparem produtos, aparecerem em cerimônias e animarem o público. Porém, muitos mascotes carregam referências culturais, símbolos nacionais, escolhas curiosas e até histórias que geram dúvidas entre os torcedores.
De leões e laranjas a criaturas futuristas e personagens inspirados em roupas tradicionais, os mascotes ajudam a mostrar como cada país queria ser visto pelo mundo durante a Copa. Por isso, alguns deles se tornaram tão conhecidos quanto jogadores e seleções.
O primeiro mascote e o início de uma tradição

A tradição começou na Copa do Mundo de 1966, realizada na Inglaterra. O personagem escolhido foi o World Cup Willie, um leão vestido com uma camisa estampada com a bandeira do Reino Unido.
A escolha fazia sentido, pois o leão é um símbolo histórico ligado à Inglaterra e aparece até hoje em referências esportivas do país. Ainda assim, o sucesso de Willie surpreendeu muita gente. Ele não era apenas um personagem decorativo: ajudou a criar uma nova forma de divulgar grandes eventos esportivos.
A FIFA considera o World Cup Willie o primeiro mascote oficial da história das Copas. Depois dele, torneios internacionais passaram a investir cada vez mais em personagens que representassem a cultura dos países-sede.
Um dos mistérios mais interessantes sobre Willie é entender por que um desenho simples se tornou tão importante. A resposta está no momento histórico. A televisão começava a levar a Copa para públicos maiores, e o mascote ajudava a tornar o evento mais fácil de reconhecer, especialmente para crianças e famílias.
Juanito e a imagem tradicional do México

Na Copa de 1970, no México, o mascote foi Juanito, um menino usando sombrero e uniforme da seleção mexicana. O personagem tinha um visual bastante direto: buscava representar uma criança torcedora e elementos tradicionais do país anfitrião.
Porém, com o passar do tempo, Juanito passou a ser visto de maneiras diferentes. Para alguns, ele é um retrato simpático da cultura popular mexicana. Para outros, o uso do sombrero pode parecer uma representação simplificada de um país muito diverso.
Esse tipo de discussão mostra um ponto importante: mascotes não são apenas desenhos. Eles carregam símbolos culturais e podem ser interpretados de formas variadas por pessoas de diferentes épocas.
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A laranja que virou mascote

Um dos personagens mais curiosos da história é Naranjito, mascote da Copa de 1982, na Espanha. Em vez de escolher um jogador, uma criança ou um animal, os organizadores apostaram em uma laranja sorridente, usando uniforme da seleção espanhola.
A escolha tinha uma explicação simples: as laranjas são produtos muito associados à agricultura espanhola, principalmente em regiões como Valência. A FIFA lembra que Naranjito foi o primeiro mascote em forma de fruta da história dos Mundiais.
Mesmo assim, a ideia causou estranhamento. Muitos torcedores esperavam algo ligado ao futebol ou a algum personagem humano. Com o tempo, porém, Naranjito virou um dos mascotes mais lembrados justamente por ser diferente.
O mistério, nesse caso, está na pergunta que permanece: como uma fruta conseguiu representar uma Copa do Mundo? A resposta talvez esteja no poder da simplicidade. Naranjito era fácil de reconhecer, tinha cores fortes e representava algo conhecido pelos espanhóis.
Ciao, o mascote que parecia um quebra-cabeça

A Copa de 1990, na Itália, apresentou um dos mascotes mais incomuns de todos: Ciao. Em vez de um animal ou pessoa, ele era formado por blocos coloridos nas cores verde, branco e vermelho, lembrando a bandeira italiana.
Seu rosto era uma bola de futebol, e o restante do corpo parecia uma figura geométrica montada como brinquedo. Para alguns torcedores, Ciao era moderno e criativo. Para outros, parecia estranho, frio e difícil de entender.
Essa divisão de opiniões tornou o personagem ainda mais curioso. Enquanto mascotes tradicionais costumam ter olhos, expressões e roupas típicas, Ciao quase não tinha características humanas.
O nome também chamava atenção. “Ciao” é uma saudação italiana bastante conhecida e pode ser usada tanto para cumprimentar quanto para se despedir. Assim, o personagem tentava unir futebol, design moderno e identidade nacional em uma única imagem.
Os três seres misteriosos da Copa de 2002

A Copa do Mundo de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão, trouxe talvez a ideia mais diferente de toda a história dos mascotes. Em vez de um único personagem, o torneio apresentou três: Ato, Kaz e Nik.
Eles eram criaturas fictícias ligadas a um esporte imaginário chamado Atmoball. Segundo a apresentação oficial da FIFA, os três mascotes pertenciam a um universo futurista e foram criados especialmente para representar o clima tecnológico e inovador da primeira Copa disputada em dois países asiáticos.
Ato era o treinador, enquanto Kaz e Nik eram jovens jogadores. O grande mistério é que muitos torcedores nunca entenderam completamente o que aquelas criaturas eram. Não eram animais, pessoas, robôs ou personagens de uma tradição local específica.
Talvez essa tenha sido justamente a intenção. A Copa de 2002 queria transmitir uma ideia de futuro, união entre países e transformação tecnológica. Mesmo assim, até hoje os três personagens aparecem em listas dos mascotes mais estranhos dos Mundiais.
La’eeb e a interpretação aberta

Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, o mascote La’eeb chamou atenção por não ter corpo, pernas ou braços definidos como os personagens tradicionais. Ele foi inspirado em uma peça de vestimenta usada em culturas árabes, especialmente um tipo de cobertura de cabeça.
O nome La’eeb vem do árabe e pode ser traduzido como “jogador muito habilidoso”. A FIFA explicou que ele pertence a um universo imaginário de mascotes e que cada pessoa poderia interpretar sua aparência de uma forma diferente.
Essa liberdade de interpretação aumentou a curiosidade do público. Algumas pessoas diziam que ele parecia um fantasma, enquanto outras enxergavam uma figura voando como um torcedor animado.
Na realidade, La’eeb foi criado para transmitir alegria, imaginação e ligação com a cultura local. O debate em torno de seu visual mostra como os mascotes atuais também precisam funcionar nas redes sociais, em jogos, produtos e animações digitais.
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A Copa de 2026 e três mascotes diferentes

A Copa do Mundo de 2026 terá uma situação especial, pois será organizada por Canadá, México e Estados Unidos. Por isso, o torneio conta com três mascotes: Maple, um alce canadense; Zayu, uma onça-pintada mexicana; e Clutch, uma águia-careca dos Estados Unidos.
A escolha mostra como os mascotes continuam sendo uma ferramenta para representar identidades nacionais. O alce é associado ao Canadá, a onça-pintada tem forte ligação com a fauna e com referências culturais do México, enquanto a águia-careca é um símbolo bastante conhecido dos Estados Unidos.
Além disso, os personagens foram desenvolvidos para aparecerem em jogos digitais, produtos licenciados e outras experiências ligadas à competição.
Os mascotes das Copas do Mundo parecem simples, mas guardam muitas histórias. Eles revelam como cada país tenta apresentar sua cultura, sua criatividade e sua relação com o futebol.
Alguns se tornam queridos imediatamente. Outros provocam estranhamento, viram memes ou dividem opiniões. Ainda assim, todos ajudam a construir a memória de cada Mundial. Afinal, muitos torcedores podem esquecer uma escalação ou um placar, mas dificilmente esquecem uma laranja jogando bola, um boneco feito de blocos ou um personagem que parecia flutuar pelo estádio.
