Já aconteceu de você ter certeza de algo, mas depois viu que não era bem assim? Tipo, jurar que alguém falou uma coisa, que algo aconteceu num lugar específico, ou até que você viveu uma situação que foi diferente na verdade. Pois é, isso é mais comum do que a gente pensa e tem a ver com o jeito que nosso cérebro funciona.
Muita gente pensa que a memória grava tudo direitinho, tipo uma câmera. Mas não é assim. Nossas lembranças são sempre montadas de novo. Cada vez que a gente lembra de algo, o cérebro pega informações, sentimentos, o que a gente viu e outros detalhes guardados. Nisso, pode ser que as coisas fiquem meio erradas, com umas partes faltando que o cérebro completa sozinho, e até podem surgir memórias que são totalmente falsas.
Entender como isso funciona ajuda a gente a conhecer melhor nossa cabeça e a não tirar conclusões apressadas sobre o que já passou. Afinal, uma lembrança pode parecer super real, mas não ser exatamente como foi.
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Mas o que são essas tais falsas memórias?
Falsas memórias são aquelas lembranças que a gente tem certeza que são verdade, mas que estão erradas, seja um pouco ou completamente. Não é que a pessoa esteja mentindo ou inventando de propósito. Quem tem uma falsa memória geralmente acredita de verdade que aquilo aconteceu.
Cientistas da psicologia e neurociência estudam isso faz tempo. Vários testes mostraram que dá para fazer as pessoas lembrarem de coisas que nunca aconteceram ou mudar detalhes importantes de eventos que foram reais.
Isso acontece porque nossa memória é bem maleável. Em vez de guardar cada experiência como um arquivo perfeito, o cérebro guarda pedacinhos de informação. Quando a gente precisa lembrar de algo, ele junta esses pedacinhos para montar a lembrança de novo.
Nessa montagem, é normal que apareçam erros.
Por que será que o cérebro inventa essas memórias que não são verdade?
O cérebro não cria falsas memórias porque está com defeito ou falhando. Na verdade, isso é um resultado do jeito eficiente que ele tem para organizar as informações.
Todo dia a gente recebe muita coisa para ver e ouvir. Seria impossível guardar cada detalhe perfeitamente. Por isso, o cérebro costuma guardar o que ele acha mais importante, tipo os sentimentos, o significado das coisas e as informações principais.
Quando a gente tenta lembrar de algo que aconteceu faz tempo, o cérebro pode preencher os espaços em branco usando o que ele já sabe, o que a gente esperava, o que outras pessoas sugerem ou até informações que a gente aprendeu depois.
Pensa numa festa que você foi há uns cinco anos. Talvez você lembre da música, das pessoas e do clima da festa. Mas os detalhes podem ter sumido. Para montar a cena de novo, o cérebro completa os buracos com coisas que parecem certas. E às vezes, o que ele monta não está correto.
Esse é um mecanismo normal e faz parte de como a nossa memória funciona.
Como é que as coisas que os outros falam ou mostram podem mudar o que a gente lembra?
As falsas memórias podem aparecer por causa da influência de outras pessoas, notícias, fotos ou até conversas que se repetem.
Quando alguém conta uma história várias vezes, a gente pode acabar colocando informações novas nela, sem nem perceber. Aos poucos, o que outras pessoas sugerem pode acabar entrando na memória que a gente tinha no começo.
Por exemplo, se várias pessoas dizem que algo aconteceu de um jeito, você pode acabar acreditando nessa versão, mesmo que antes você lembrasse de algo diferente.
Fotos também podem influenciar. Elas ajudam a guardar as lembranças, mas às vezes fazem o cérebro montar situações com base na imagem, misturando o que foi real com o que a gente pensou depois.
Quanto mais a gente pensa e repensa numa memória, mais ela pode mudar com o tempo.
Será que as emoções influenciam na criação de falsas memórias?
Sim. Nossas emoções influenciam bastante o que a gente lembra.
Situações que mexem muito com a gente costumam ser guardadas com mais força. Mas isso não quer dizer que todos os detalhes sejam guardados certinho.
Quando a gente está com medo, ansioso, estressado ou muito feliz, a atenção costuma ir para o que é mais importante para a nossa sobrevivência ou para o impacto emocional daquele momento. Por isso, outros detalhes podem ser esquecidos ou montados de um jeito errado depois.
E mais: nossas emoções de agora também mudam o jeito que a gente vê o que aconteceu. Uma mesma experiência pode ser lembrada de forma diferente dependendo de como a gente está se sentindo hoje.
Dá para criar uma memória de algo que nunca aconteceu de verdade?
Sim, e isso surpreende.
Estudos mostraram que algumas pessoas podem criar lembranças cheias de detalhes sobre coisas que nunca aconteceram, depois de ouvirem certas sugestões várias vezes.
Em uns estudos famosos, teve gente que passou a acreditar que tinha se perdido num shopping quando era criança, mesmo que isso nunca tivesse acontecido. Com o tempo, muitos até contaram detalhes dessa suposta experiência.
Isso não quer dizer que qualquer um possa ser facilmente manipulado, mas mostra como a memória pode ser influenciada em algumas situações.
O cérebro tende a achar uma informação mais confiável quando ela é repetida muitas vezes ou quando faz sentido com outras experiências que ele já guarda.
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Tem como a gente saber se uma memória é de verdade?
Essa é uma das coisas mais complicadas para a psicologia e a neurociência responderem.
Infelizmente, não existe um jeito fácil de saber com certeza se uma lembrança é verdadeira só sentindo o que ela provoca. O problema é que as falsas memórias podem parecer tão reais quanto as verdadeiras.
Muita gente pensa que se a lembrança é bem viva, cheia de detalhes e com uma emoção forte, ela é verdadeira. Mas os estudos mostram que nem sempre é assim.
Uma memória falsa pode ser super convincente.
Quando é importante ter certeza de uma lembrança, o melhor é procurar coisas que a provem por fora. Fotos, vídeos, documentos, mensagens antigas e o que outras pessoas contam podem ajudar a confirmar ou duvidar de certos fatos.
Mesmo assim, nem sempre dá para ter uma resposta final.
Como a gente faz para correr menos risco de acreditar em memórias falsas?

Não dá para acabar de vez com esse fenômeno, mas algumas coisas ajudam a diminuir os erros.
Guardar coisas escritas, fotos organizadas e informações registradas pode servir de consulta para o futuro. Também é importante não tirar conclusões só com base em lembranças antigas, principalmente quando elas têm muitos detalhes específicos.
Outro jeito é aceitar que nossa memória não é perfeita. Saber disso ajuda a olhar as lembranças com mais cuidado e a considerar outras explicações.
As falsas memórias são algo natural do nosso cérebro. Elas aparecem porque nossas lembranças não são cópias exatas do que aconteceu. Elas são montadas de novo, usando pedacinhos de informação, emoções e tudo o que a gente viveu.
Isso quer dizer que até as lembranças que parecem super claras podem ter alguma coisa errada. O que os outros sugerem, emoções fortes, o tempo que passa e o que a gente pensa depois, tudo isso muda o jeito que a gente lembra do passado.
Mesmo que não tenha um jeito certo de saber se uma memória é verdadeira ou falsa só pela certeza que ela dá, procurar por provas de fora e ter um olhar mais crítico pode ajudar a avaliar melhor nossas lembranças. No fim das contas, entender como a memória funciona também é uma forma de conhecer melhor o nosso cérebro, com toda a sua complexidade e capacidade de se adaptar.
