Será possível viajar no tempo? O que a ciência diz e quanto custaria

Cássia Alves

março 13, 2026

Será possível viajar no tempo? O que a ciência diz e quanto custa
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Viajar no tempo: um sonho que acompanha a humanidade. Desde a infância, somos fascinados pela ideia de apertar um botão e sumir em uma máquina rumo a outra época. Quem nunca quis dar uma espiada no passado, revendo momentos históricos, ou pular para o futuro para ver como o mundo será? Para os fãs de ficção científica, essa pergunta é um prato cheio para explorar os limites da ciência, da tecnologia e da nossa imaginação.

Mas será que viajar no tempo é só coisa de filme, ou existe alguma chance real de isso acontecer? O que a física diz sobre essa possibilidade? Vamos juntos nessa.

Afinal, o que é viajar no tempo?

De forma simples, é ir para o passado ou para o futuro de um jeito diferente do que fazemos normalmente. Afinal, todos nós estamos indo para o futuro, um segundo por vez. Mas o que realmente nos encanta é a ideia de pular anos, décadas ou séculos em um instante.

Na ficção, como em De Volta para o Futuro, a viagem rola em uma máquina – o famoso DeLorean – que, ao atingir 140 km/h, abre um portal no tempo. É divertido, empolgante e cheio de paradoxos, como o risco de mudar o passado e impedir o próprio nascimento.

Na ciência, a coisa é mais complicada, mas ainda assim interessante.

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A ciência já permite viajar no tempo?

A resposta curta é: sim, mas só para o futuro, e de um jeito bem limitado.

A Teoria da Relatividade de Einstein, do começo do século XX, diz que o tempo não é igual para todos. Ele pode passar mais devagar dependendo da nossa velocidade ou da força da gravidade ao nosso redor.

Isso é a tal da dilatação do tempo. Na prática, quanto mais rápido você viaja – perto da velocidade da luz – mais lento o tempo passa para você em comparação com quem está parado.

Isso já foi provado. Astronautas que passam meses na Estação Espacial Internacional envelhecem um pouco menos do que nós aqui na Terra. A diferença é pequena, mas existe. Ou seja, eles deram uma escapadinha para o futuro, mesmo que quase imperceptível.

Agora, imagine uma nave que viaje a quase a velocidade da luz. Para quem estivesse lá dentro, passariam alguns poucos anos, enquanto na Terra teriam se passado décadas ou séculos. Ao voltar, essa pessoa estaria no futuro.

E viajar para o passado, rola?

Aí a coisa fica bem mais complicada.

Alguns cálculos da Relatividade Geral mostram que poderiam existir os chamados buracos de minhoca – atalhos no espaço-tempo que ligariam dois pontos diferentes no tempo e no espaço. Em teoria, se desse para manter um desses buracos aberto, seria possível atravessá-lo e chegar ao passado.

O problema é que nunca encontramos um buraco de minhoca de verdade. E mesmo que eles existissem, precisaríamos de um tipo de matéria esquisita, com energia negativa, para mantê-los abertos. Até agora, isso é só uma ideia.

Além disso, ir para o passado cria uns paradoxos, como o paradoxo do avô: se você voltasse no tempo e impedisse seus avós de se conhecerem, como você teria nascido para fazer essa viagem?

Alguns físicos acham que o universo daria um jeito de evitar mudanças que causassem paradoxos, ou que cada alteração criaria uma realidade diferente. Mas, por enquanto, isso tudo é só teoria.

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O que seria preciso para alguém viajar no tempo?

Se pensarmos em ir para o futuro, precisaríamos de tecnologia para chegar perto da velocidade da luz. Nossas naves ainda estão bem longe disso.

Daria para tentar ir para lugares com muita gravidade, como perto de um buraco negro. A gravidade forte diminui a velocidade do tempo. Mas sobreviver ali seria quase impossível com a tecnologia que temos hoje.

Já para ir para o passado, precisaríamos entender e controlar coisas que nem imaginamos: manipular o espaço-tempo, controlar energia em níveis absurdos e, quem sabe, descobrir uma física nova.

Resumindo: seria preciso um avanço tecnológico gigante, como a diferença entre a Idade Média e a era digital.

Quanto custaria viajar no tempo?

Será possível viajar no tempo? O que a ciência diz e quanto custa
Caso a viagem no tempo seja possível, provavelmente custaria trilhões de reais. Foto: Viajantes do Futuro.

Essa é uma ótima pergunta. Se pensarmos só na viagem para o futuro, o preço seria altíssimo.

Os projetos espaciais de hoje já custam bilhões. Criar uma nave que chegue perto da velocidade da luz gastaria energia equivalente à produção de países inteiros por anos. Alguns cálculos mostram que acelerar uma nave pequena a essas velocidades exigiria tanta energia quanto a massa de objetos grandes transformada diretamente em energia.

Ou seja, custaria trilhões, talvez algo que só civilizações muito mais avançadas que a nossa pudessem pagar.

No caso dos buracos de minhoca, nem dá para calcular, porque nem sabemos se eles são possíveis.

Será que isso vai rolar em breve?

Se em breve significa nas próximas décadas, a resposta é: acho que não.

Hoje, não existe nenhum projeto científico que esteja perto de permitir viagens no tempo como vemos nos filmes. A física tenta entender como, mas estamos muito longe de colocar isso em prática.

Mas, lembre-se, muitas tecnologias de hoje já foram consideradas impossíveis. Voar, ir para o espaço, mexer no DNA, falar com alguém do outro lado do mundo, tudo isso parecia ficção há um tempo atrás.

A diferença é que, para viajar no tempo, não temos só um problema de tecnologia, mas também uns limites da física.

Como seria viajar no tempo?

Se um dia for possível ir para o futuro aproveitando a dilatação do tempo, provavelmente seria como uma missão espacial longa. A pessoa viajaria sabendo que, ao voltar, tudo terá mudado.

Seria uma experiência bem forte. Imagine ir sabendo que amigos, família e a sociedade que você conhece talvez não existam mais quando você voltar.

Viajar no tempo, se for possível, não seria só uma vitória da ciência, mas também um desafio enorme para nós.

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Será verdade, ou só um sonho?

A ciência não diz que viajar no tempo é impossível, mas coloca limites claros. Ir para o futuro já acontece um pouco, como provam os experimentos. Ir para o passado, por enquanto, é só coisa de teoria e imaginação.

Para nós, que estamos sempre pensando no futuro, a verdadeira viagem no tempo está no conhecimento. Cada descoberta científica nos leva a lugares que antes nem imaginávamos.

Talvez não tenhamos um DeLorean na garagem tão cedo. Mas, ao explorar a física, estamos sempre expandindo o que significa ser humano – e isso já é uma baita jornada no tempo.