A imagem de um exército nacional é frequentemente associada à soberania de um país. Historicamente, as forças armadas foram tidas como essenciais na proteção de fronteiras, garantia da soberania e resposta a conflitos. Uma parcela de países ao redor do globo optou por uma abordagem distinta, a saber, a dissolução completa de seus exércitos.
Essas nações operam sem forças militares permanentes, preservando, ainda assim, a estabilidade política, a segurança interna e as relações internacionais. Como isso se concretiza? Quem protege esses países? E por que alguns governos escolheram esse modelo?
Aqui você entenderá como funciona essa estratégia dos países sem exército e entenderá como eles garantem a segurança.
Por que esses países não têm exército?
As motivações para a extinção das forças armadas variam entre os países. Em muitos casos, a decisão emergiu de guerras, crises políticas ou mudanças na concepção de desenvolvimento nacional.
Entre as razões, estão:
- A manutenção de um exército onera bastante os cofres públicos. Ao abolir as forças armadas, os governos podem investir mais em áreas como educação, saúde e infraestrutura.
- Alguns países estabeleceram tratados que asseguram proteção militar por parte de nações aliadas.
- Muitos desses países são pequenos ou possuem uma posição geográfica que mitiga os riscos de invasão.
- Em certos casos, o fim do exército representou uma forma de evitar golpes militares ou guerras internas.
Ao invés de investir em poderio militar, essas nações priorizam a diplomacia, a cooperação internacional e a estabilidade interna.
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O caso da Costa Rica
Um dos exemplos mais conhecidos é a Costa Rica, que extinguiu oficialmente seu exército em 1948, após uma guerra civil. A decisão foi tomada pelo então líder José Figueres Ferrer, que sustentava que os recursos militares seriam mais bem empregados no desenvolvimento social.
Desde então, a Costa Rica tem investido consistentemente em educação pública, preservação ambiental, turismo sustentável, saúde e bem-estar social.
Atualmente, o país é tido como uma das democracias mais estáveis da América Latina e um dos destinos turísticos mais populares da região.
Para salvaguardar a segurança interna, a Costa Rica mantém forças policiais bem treinadas, atuantes na segurança pública, no patrulhamento de fronteiras e no combate ao crime organizado.
Em caso de ameaça externa, o país conta com apoio internacional e acordos diplomáticos.
Países europeus sem forças armadas
Na Europa, também há exemplos de nações sem exército permanente. Andorra, situada entre a França e a Espanha, tem sua defesa tradicionalmente garantida por acordos com esses dois países. Enquanto isso, Liechtenstein aboliu seu exército em 1868, motivado por razões econômicas, visto que a manutenção de forças militares era muito cara para um país pequeno. Desde então, Liechtenstein mantém somente uma força policial nacional, focada na segurança interna.
A Islândia, membro da OTAN, não possui exército permanente. Sua defesa se baseia em acordos internacionais e cooperação com países aliados. Esse país mantém uma guarda costeira, responsável por patrulhar as águas territoriais e garantir a segurança marítima.
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Microestados e acordos de defesa
Alguns dos países sem exército são microestados, nações pequenas em território e população.
Entre eles estão Mônaco, San Marino e o Vaticano.
No Vaticano, a segurança é feita pela Guarda Suíça Pontifícia. Já Mônaco dispõe de acordos de defesa com a França, e San Marino mantém forças simbólicas e cooperação militar com a Itália.
Por serem países pequenos e com grande importância diplomática ou turística, o risco de conflito militar é considerado baixo.
Estratégias de segurança dos países que não têm exército
Mesmo sem exército, esses países empregam uma gama de estratégias para manter a estabilidade e a segurança. Por exemplo, essas nações investem em relações diplomáticas e cooperação internacional para reduzir tensões e reforçar alianças. Além disso, alguns países possuem tratados que garantem apoio militar em caso de ameaça externa.
Muitos desses países também mantêm polícias bem aparelhadas e especializadas, capazes de lidar com segurança interna, terrorismo e controle de fronteiras. Governos estáveis e instituições sólidas atenuam os riscos de conflitos internos ou externos.
Quais são as vantagens e também os principais desafios?
A ausência de um exército pode gerar benefícios, mas também apresenta desafios. Entre as vantagens esão mais investimentos em áreas sociais, menor risco de golpes militares, imagem internacional pacífica e o incentivo ao turismo e à diplomacia.
Enquanto isso, entre os desafios estão a dependência de aliados em caso de conflitos, a cooperação internacional e a vulnerabilidade em cenários geopolíticos instáveis.
Esses países demonstram que a segurança nacional não depende apenas de força militar, mas também de estabilidade, diálogo e desenvolvimento social.
Os países sem exército evidenciam que existem caminhos para garantir soberania e segurança. Embora esse modelo não seja adequado para todas as nações, ele mostra que a cooperação internacional, a diplomacia e o investimento social podem ser tão importantes quanto o poder militar.
Em um mundo interconectado, essas nações mostram que a paz e a estabilidade também são edificadas por meio do diálogo, de acordos e do desenvolvimento humano.
Uma das lições mais valiosas desses países é que a força de uma nação reside nas escolhas que ela faz.
