Sentar num café em qualquer cidade grega, de Atenas a Heraklion, e não ver ninguém tomando um copo alto, gelado, com espuma por cima e um canudo espetado é quase impossível. Os gregos são apaixonados por café, eu poderia dizer que quase tanto quanto nós brasileiros. E, o frappé é tão parte do cotidiano grego que soa quase como uma instituição nacional. De certa forma, é mesmo: só que ele nasceu de um acidente bem mais banal do que se imagina.
Você sabia que o frappé é um café grego?
A pergunda pode até parecer óbvia, mas, por encrível que pareça, muitosa associam o nome a uma bebida italiana, ou até mesmo francesa. Apesar de ter tido a sua origem na Grécia de maneira bem inusitada, os gregos também tomam bastante o famoso freddo espresso e o famoso café grego. Então, está perdoado quem foi à Grécia e não descobriu que essa bebida também vinha de lá. Mas hoje você irá descobrir de uma forma bem simples e rápida como essa bebida surgiu no país.
Veja também: A ilha grega onde Hércules ficou famoso e fiéis chegam de joelhos
Uma feira de negócios em 1957
A história é contada há décadas na Grécia e foi confirmada por representantes da própria Nestlé, dona da marca Nescafé, envolvida diretamente no episódio: em setembro de 1957, durante a Feira Internacional de Salônica, um representante da empresa chamado Dimitris Vakondios queria simplesmente tomar seu café instantâneo de sempre durante um intervalo de trabalho. O problema é que, naquele momento, não havia água quente disponível no local.
Vakondios tinha acabado de ver, ali mesmo na feira, a apresentação de uma nova bebida achocolatada para crianças, que era preparada instantaneamente ao ser misturada com leite dentro de uma coqueteleira. Ele teve a ideia de repetir o processo, só que com café instantâneo e água fria no lugar do achocolatado. Colocou tudo na coqueteleira, sacudiu com força e obteve, sem querer, um café gelado com uma camada espessa de espuma por cima.
Foi assim, quase por acaso, que nasceu o frappé.
De solução improvisada a bebida nacional

O nome “frappé” vem do francês e significa, basicamente, “batido” ou “chacoalhado”, uma referência direta ao movimento que cria aquela espuma característica. A bebida se popularizou rapidamente pela Grécia ao longo das décadas seguintes, tanto que Salônica, cidade onde tudo aconteceu, é até hoje tratada como uma espécie de capital simbólica do frappé grego. Por volta de 1979, a bebida já havia se consolidado como o café nacional do país, um status que mantém firme até hoje, especialmente durante os meses quentes de verão.
O preparo tradicional é simples: café instantâneo, água, açúcar a gosto e gelo, tudo batido, seja numa coqueteleira, seja num liquidificador ou numa máquina específica, como as que aparecem em quase todo café ou quiosque de rua na Grécia, até formar uma espuma densa por cima do líquido gelado. Quem quiser, ainda pode adicionar leite. O resultado é servido num copo alto, sempre com canudo, e virou tão associado à identidade grega quanto o azeite ou o azul do mar Egeu.
Existe algo curioso na trajetória do frappé: ele não foi criado por nenhum grande chef, nem resultado de um plano estratégico de alguma marca. Foi resposta de alguém tentando resolver, na hora, um problema banal e específico, a falta de água quente num dia comum de trabalho. E, mesmo assim, se tornou parte da identidade cultural de um país inteiro, atravessando gerações e virando símbolo do verão grego para moradores e turistas.
E aí, você já conhecia a história do frappé? Sabia que ele tinha origem grega?
