E se o VAR existisse nas Copas antigas? Lances históricos poderiam mudar

Cássia Alves

julho 4, 2026

E se o VAR existisse nas Copas antigas?
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O futebol sempre abriu espaço para discussões intermináveis. Algumas surgem após grandes jogadas, outras nascem de falhas defensivas. Porém, muitas permanecem vivas por causa de decisões de arbitragem que mudaram partidas, eliminaram seleções e ficaram na memória dos torcedores.

Hoje, o VAR faz parte do futebol internacional. Ele não revisa qualquer lance, mas pode interferir em situações decisivas, como gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e casos de identificação incorreta de jogadores. O objetivo é corrigir erros claros e evidentes, sem transformar toda decisão de campo em uma longa análise de vídeo.

Mas o que aconteceria se essa tecnologia existisse desde as primeiras Copas do Mundo? Alguns dos episódios mais conhecidos do torneio poderiam ter terminado de outra forma. Outros, porém, talvez continuassem gerando debates, já que nem toda polêmica pode ser resolvida por câmeras.

A seguir, vale imaginar como o VAR poderia ter mudado alguns capítulos históricos do futebol.

O “gol de Wembley” em 1966 teria sido validado?

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Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental (após prorrogação) ⚽ Gols da Inglaterra: Geoff Hurst (18′) Martin Peters (78′) Geoff Hurst (101′) Geoff Hurst (120′) ⚽ Gols da Alemanha Ocidental: Helmut Haller (12′) Wolfgang Weber (89′) Destaques históricos Geoff Hurst marcou um hat-trick, o único em finais de Copa do Mundo até hoje. O terceiro gol da Inglaterra, na prorrogação, é um dos mais polêmicos da história: a bola bateu no travessão e quicou perto da linha — até hoje há debate se entrou totalmente ou não. A Inglaterra conquistou seu primeiro e único título mundial. A decisão ficou marcada pelo famoso gol de “Wembley” e pela atuação decisiva de Bobby Charlton e do goleiro Gordon Banks ao longo do torneio. Contexto histórico A final consolidou a geração inglesa de 1966 como a única campeã mundial do país, em um torneio lembrado tanto pelo alto nível técnico quanto pelas polêmicas de arbitragem. #worldcup #fifa #footballedits #asmr #asmrsounds #asmrvideo #soccertiktok #esporte #sports #tiktok #futebol #vasco #flamengo #neymar #riverplate #copadomundo #corinthians #bocajuniors #brasil #gol

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A final da Copa do Mundo de 1966, entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, é uma das partidas mais lembradas da história. O duelo terminou em 4 a 2 para os ingleses após a prorrogação, com Geoff Hurst marcando três gols.

No entanto, o segundo gol de Hurst se tornou um dos lances mais discutidos de todas as Copas. A bola bateu no travessão, quicou perto da linha do gol e voltou para o campo. O árbitro consultou o bandeirinha, que confirmou o gol.

Até hoje, há divergências sobre a bola ter cruzado completamente a linha. A própria FIFA reconhece o episódio como um dos gols mais controversos da história das finais de Copa. Para os alemães, a bola teria tocado a linha. Para os ingleses, ela teria entrado por completo.

Com a tecnologia atual, esse seria um caso ideal para o sistema de detecção automática de gol, que funciona de forma diferente do VAR tradicional. Câmeras e sensores poderiam indicar com precisão se a bola entrou totalmente.

Caso a tecnologia apontasse que a bola não cruzou a linha, a Inglaterra perderia um gol decisivo na prorrogação. Isso não significa que a Alemanha Ocidental necessariamente seria campeã, pois a partida continuaria aberta. Ainda assim, a história daquela final poderia ter sido diferente.

Por outro lado, se as imagens confirmassem o gol, o debate seria encerrado em segundos. O episódio talvez deixasse de ser uma polêmica nacional e passasse a ser visto apenas como um lance importante de uma final dramática.

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A “Mão de Deus” de Maradona seria anulada

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O DIA EM QUE MARADONA ENGANOU O DESTINO 🇦🇷🏟️🖐️ Falar do gol de mão do Maradona contra a Inglaterra é mergulhar em um dos momentos mais profundos e emocionantes da história do esporte. Em mil novecentos e oitenta e seis, aquela bola na rede não foi apenas um erro da arbitragem, mas um grito de desabafo de um povo que via no futebol a sua maior forma de expressão e resistência. Diego sabia que aquele jogo valia mais do que uma vaga na semifinal. Ao usar a ‘Mão de Deus’, ele personificou a figura do herói imperfeito, aquele que usa todas as armas possíveis para defender a sua bandeira. Foi um lance que dividiu o mundo entre a moralidade da regra e a magia do momento, provando que Maradona era uma força da natureza impossível de ser contida por leis comuns. Na sua visão de quem ama a história do futebol: esse gol deve ser celebrado como um ato de esperteza genial ou condenado como uma mancha na carreira do Pibe? Diz aí nos comentários! 👇 #futebol #copadomundo #argentina #seleccionargentina #maradona

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Poucos lances são tão conhecidos quanto o gol de Diego Maradona contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa de 1986, no México.

A Argentina vencia a partida quando Maradona disputou uma bola pelo alto com o goleiro Peter Shilton. O argentino tocou na bola com a mão, mas o árbitro e o assistente entenderam que o lance havia sido legal. O gol foi validado.

Mais tarde, Maradona descreveu o episódio como tendo sido marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus”. A FIFA trata o lance como um dos momentos mais conhecidos e controversos da história do torneio.

Com VAR, dificilmente esse gol permaneceria válido. As imagens mostrariam o contato da mão com a bola, e a revisão seria rápida, pois se tratava de uma infração diretamente ligada ao gol.

O resultado mudaria de maneira importante. Naquele momento, a partida estava em 0 a 0. Sem o gol irregular, a Inglaterra teria mais tempo para tentar controlar o jogo e buscar a classificação.

Porém, seria exagero afirmar que o VAR eliminaria a Argentina daquela Copa. Poucos minutos depois, Maradona marcou outro gol contra os ingleses, desta vez em uma arrancada individual que entrou para a história como um dos maiores gols já feitos em Copas.

Ou seja, o VAR apagaria a “Mão de Deus”, mas não reduziria a dimensão da atuação de Maradona naquele Mundial.

O gol de Frank Lampard em 2010 seria confirmado

A Copa do Mundo de 2010 também teve um lance que reforçou a discussão sobre o uso da tecnologia no futebol. Nas oitavas de final, Alemanha e Inglaterra se enfrentaram em uma partida que terminou em 4 a 1 para os alemães.

Quando a Alemanha vencia por 2 a 1, Frank Lampard chutou de fora da área. A bola bateu no travessão, ultrapassou a linha do gol e voltou para o campo. O árbitro mandou o jogo seguir.

As imagens mostraram claramente que a bola havia entrado. A FIFA relembra que o chute de Lampard cruzou a linha antes de voltar para as mãos de Manuel Neuer.

Com a tecnologia atual, o gol seria validado imediatamente. O placar ficaria em 2 a 2, e a Inglaterra entraria na segunda etapa com outro nível de confiança.

Ainda assim, é importante evitar conclusões definitivas. A Alemanha foi superior em boa parte da partida e poderia vencer mesmo com o empate inglês. Porém, o jogo teria outro contexto emocional, tático e psicológico.

Esse tipo de lance mostra uma das principais contribuições da tecnologia: não garantir um resultado específico, mas impedir que um gol claro deixe de ser validado por uma limitação humana.

Nem toda polêmica desapareceria

A existência do VAR nas Copas antigas não eliminaria todas as discussões. O vídeo ajuda a rever imagens, mas não elimina a interpretação presente no futebol.

Lances de contato dentro da área, possíveis faltas antes de gols e disputas físicas continuariam dividindo opiniões. Em muitos casos, duas pessoas podem assistir à mesma repetição e chegar a conclusões diferentes.

Além disso, decisões sobre a intensidade de uma falta, a intenção de um jogador ou a interpretação de uma carga corporal ainda dependem do árbitro. O VAR pode recomendar uma revisão, mas a decisão final continua sendo humana.

Isso significa que partidas históricas continuariam cercadas de debates. A diferença é que algumas injustiças mais objetivas, como uma bola que entrou e não foi validada ou um gol marcado com a mão, teriam menos chance de permanecer no placar.

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O futebol perderia parte de sua magia?

Há quem diga que o futebol antigo era mais espontâneo porque os árbitros decidiam tudo em segundos, sem pausas e sem revisões. De fato, o VAR mudou a dinâmica das partidas, principalmente em lances de gol e pênalti.

Porém, também é difícil defender que erros evidentes devem continuar fazendo parte do esporte apenas por tradição. Uma seleção pode passar anos treinando para uma Copa do Mundo, e uma decisão incorreta pode encerrar esse sonho em poucos segundos.

O grande desafio não é escolher entre tecnologia e emoção. É encontrar equilíbrio. O VAR precisa ser usado com critério, rapidez e transparência para proteger a justiça esportiva sem tirar do jogo sua intensidade.

Se o VAR existisse nas Copas antigas, alguns gols seriam anulados, outros seriam confirmados e certos campeonatos poderiam ter seguido caminhos diferentes. Mesmo assim, o futebol continuaria imprevisível, pois as partidas não são decididas apenas por um lance.

Talvez essa seja a principal lição: a tecnologia pode corrigir parte dos erros, mas nunca conseguirá eliminar completamente o drama, a pressão e a paixão que fazem da Copa do Mundo um evento tão especial.