A cosmopolita Corfu, conhecida pelos gregos como Kerkyra, é uma das maiores e mais populosas ilhas da Grécia, e talvez a mais famosa de todo arquipélago Jônico. No verão, recebe visitante de vários países, atraídos pela praia, pela história e por uma cultura que, confesso, tem pouco de exclusivamente grega.
Quem chega percebe isso rápido. Tem construção veneziana, marca deixada por franceses e britânicos, tradição local e uma gastronomia que mistura referência grega com italiana sem cerimônia. Corfu parece ter acumulado um pedacinho de cada povo que passou por ali ao longo dos séculos.
Para quem costuma ver aquelas imagens das casinhas brancas típicas das ilhas do complexo das Cícladdes, Corfu pode parecer ligeiramente diferente à primeira vista. Mas, a verdade é que as suas construções e as suas praias são tão incríveis que te farão esquecer um pouco as casinhas brancas, acredite!
Uma ilha disputada por povos diferentes ao longo dos séculos
A Cidade Velha de Corfu ajuda a entender boa parte dessa história. Nos últimos mil anos, bizantino, veneziano, francês e britânico passaram pela ilha e deixaram sua marca, cada um à sua maneira.
Corfu é habitada desde o período Paleolítico. Bem mais tarde, os Feácios, aqueles que quem já leu a Odisseia conhece, viveram na região, e por isso a ilha também ficou conhecida como Feácia. Homero a chamou de Esquéria.
Em determinado período, Corfu recebeu ainda os nomes de Drepanon ou Drepanê, ligados ao formato alongado da ilha, parecido com uma foice. Já o nome grego Kerkyra vem do antigo Korkyra, de origem dórica, considerado o primeiro nome do lugar.
E existe uma explicação para o nome que ficou mais conhecido fora da Grécia. Corfu seria uma corruptela do nome bizantino Korypho, associado às duas montanhas visíveis quando você se aproxima da ilha. Os picos mais altos são o Monte Pantokrator, com 914 metros segundo a referência histórica, e o Stravoskiadi, com 849 metros.
Por que Corfu recebe tanto visitante estrangeiro?
Por incrível que pareça, quando eu falei que estava indo para Corfu, todos os gregos falaram para eu me preparar para os preços e para a multidão. Eu não sabia que Corfu era uma ilha extremamente famosa e um dos destinos favoritos dos europeus. Confesso que só confirmei isso quando cheguei na ilha. E, assim que entendi como era Corfu, entendi o motivo de ser uma ilha tão disputada.
Uma das razões está no mar. Corfu tem uma rede de ferries que a conecta a cidades importantes da Itália, entre elas Brindisi, Bari, Ancona e Veneza. Existem também ligações diretas com Saranda, na Albânia.
Para quem viaja pelo Mediterrâneo, isso muda bastante as possibilidades de roteiro. Corfu pode ser o destino principal, ou uma parada no meio de vários países e ilhas diferentes.
As praias são outro motivo, óbvio.
Vai desde pequena faixa de areia e enseada mais isolada até praia bem estruturada, com restaurante e outros serviços. Rovinia e Timoni estão entre as mais preservadas, águas cristalinas, paisagem mais selvagem. Kassiopi e Paleokastritsa seguem outra proposta, com estrutura para quem prefere passar o dia sem abrir mão do conforto.
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A Cidade Velha concentra boa parte do que faz Corfu especial
É difícil caminhar pela Cidade Velha sem lembrar que Corfu passou séculos sob influência estrangeira. As ruas estreitas, as antigas fortalezas e os edifícios de arquitetura veneziana formam um conjunto que levou a região a ser reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Entre os lugares mais conhecidos estão o Palácio de Achilleion, construído pela Imperatriz Elisabeth da Áustria, e o Monastério de Paleokastritsa.
Vale procurar também a Igreja de São Spyridon, dedicada ao padroeiro da ilha, e a Spianada, considerada a maior praça da Grécia.
A cultura local aparece na música também. A influência veneziana e britânica ajudou a formar uma tradição musical própria, com concerto de música clássica e apresentação de banda filarmônica ao longo do ano.
Na mesa, a mistura continua. O sofrito, a pastitsada e o bourdeto são alguns dos pratos que melhor mostram essa combinação de influências diferentes.
E tem duas bebidas que merecem atenção especial. Uma é a cerveja produzida localmente. A outra é a ginger beer, tradicional em Corfu, refrescante, com aquele toque picante que surpreende quem experimenta pela primeira vez.
O que fazer em Corfu além de praia

Caminhar pela Spianada
Assim que se chega à Cidade Velha, a Spianada chama atenção na hora. O nome vem do italiano “spianare”, que significa nivelar.
Em 1576, os venezianos começaram a demolir as casas em frente ao Forte Antigo para aumentar a capacidade defensiva da ilha. Mais tarde, os franceses ligados a Napoleão arborizaram toda a área.
Hoje a Spianada é um dos pontos de encontro mais movimentados de Corfu, e um ótimo lugar para sentar e observar o cotidiano da cidade passar.
Tomar um café em Kanoni

Kanoni fica ao sul de Palaiopolis, onde ficava a antiga cidade de Corfu. O nome da região estaria ligado à bateria de artilharia instalada pelos franceses em 1798. Um dos canhões ainda pode ser visto por lá.
O mais curioso, porém, está no céu. O aeroporto de Corfu fica muito perto, e os aviões passam bem próximos da área de observação, quase raspando.
Logo abaixo está o Mosteiro de Vlacherna, construído no século XVII. De lá, pequenos barcos fazem a travessia até Pontikonisi, a pequena ilha considerada um dos símbolos de Corfu.
Segundo a mitologia, Pontikonisi seria um navio dos Feácios transformado em pedra.
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Conhecer Palaiopolis
Palaiopolis corresponde à antiga cidade de Corfu e guarda vestígios importantes do passado da ilha.
Um dos pontos que merece atenção é o templo de Ártemis Gorgon, construído no século VI a.C. Está entre os mais antigos templos dóricos de pedra do mundo grego. O grande altar de calcário poroso permanece bem preservado, e ajuda a imaginar a dimensão que o antigo conjunto tinha.
Entrar no Palácio de Achilleion
A poucos quilômetros da cidade de Corfu, em Gastouri, está o Aquileion, o famoso palácio da imperatriz austríaca Elisabeth, conhecida como Sissi.
Hoje o local funciona como museu. Os peristilos e jardins têm vista ampla, decorados com estátuas, entre elas o Aquiles Moribundo e o Sátiro com Dionísio nos ombros.
Dentro do palácio, afrescos e pinturas inspirados na mitologia grega completam a visita.
Subir o Monte Pantokrator
O Monte Pantokrator é o ponto mais alto de Corfu, com 906 metros, e pode ser alcançado de carro sem grande dificuldade.
No topo existe um café e um mosteiro do final do século XVII. A altitude permite enxergar boa parte da ilha e o Mar Jônico ao mesmo tempo.
É um daqueles lugares em que a subida até o ponto de observação já vira parte do passeio.
Passar algumas horas em Kassiopi
Kassiopi começou como uma vila tradicional de pescadores e, com o tempo, virou uma das áreas turísticas em crescimento de Corfu.
A vila fica na base de uma pequena península cercada por enseadas de seixos, com um porto de pesca bem charmoso.
No centro da península está o Castelo de Kassiopi, de origem bizantina, datado do século VI. A região também concentra algumas das praias mais organizadas da ilha e bons bares de praia.
Nadar pelo Canal d’Amour
Em Sidari, o Canal d’Amour chama atenção pelas formações rochosas esculpidas pelo mar ao longo de séculos. A água avançou entre as rochas e abriu uma espécie de túnel na entrada da enseada.
Quando o mar está calmo, dá para nadar pelo túnel.
Existe uma antiga lenda local segundo a qual casais que atravessam o canal juntos acabam se casando. Para quem leva superstição a sério, talvez valha pensar duas vezes antes de entrar na água acompanhado.
Experimentar um banho de argila em Sidari
As praias de Sidari também são conhecidas pelas formações naturais de argila. No Canal d’Amour, muita gente costuma passar a argila das falésias pelo corpo.
As propriedades da argila são tradicionalmente associadas a benefícios para a pele. Nas proximidades está a praia de Loggas, também conhecida pelos banhos de argila.
Provar o licor de kumquat
O kumquat virou um dos símbolos gastronômicos de Corfu. A partir do fruto dessa árvore cítrica se produz um licor alcoólico de aroma e sabor que lembram laranja e morango.
A fruta tem origem asiática, e seu nome em chinês significa “laranja dourada”. O sabor é amargo quando consumida crua, enquanto o licor é conhecido justamente pelo perfil adocicado.
A bebida pode ser servida como digestivo e aparece também em coquetéis e long drinks.
Corfu também é ilha para quem gosta de natureza

Para quem prefere ficar longe das cidades, a Corfu Trail atravessa a ilha de norte a sul. O percurso passa por paisagens bem diferentes entre si, e permite conhecer uma face mais rural de Corfu.
As águas transparentes favorecem atividades como mergulho, snorkeling e esporte aquático. Há bastante vida marinha nas áreas costeiras, e as condições do mar ajudam a explicar por que essas atividades ficam tão populares no verão.
Festas, música e uma tradição que segue presente
Corfu mantém uma agenda cultural movimentada o ano inteiro. Tem festival de música com alcance internacional, festa religiosa, celebração gastronômica.
O Carnaval também tem uma cara própria, com influências vindas da Commedia dell’Arte italiana.
Mas é a Páscoa que ocupa um lugar especial nas tradições da ilha, considerada a mais famosa da Grécia. As celebrações religiosas atraem visitante e mantêm as ruas movimentadas mesmo fora da temporada típica de praia.
A hospitalidade dos corfiotas também faz parte dessa atmosfera. Numa taverna pequena de frente para o mar, ou num café escondido entre as ruas da Cidade Velha, a relação com o visitante costuma ser próxima e sem cerimônia.
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Como chegar a Corfu?
De avião
O Aeroporto Internacional de Corfu Ioannis Kapodistrias, código CFU, recebe voos de várias cidades europeias. Na alta temporada, a oferta de voos diretos aumenta bastante.
Do aeroporto, dá para seguir de táxi, alugar carro ou usar transporte público.
De ferry
Quem vem da Grécia continental pode chegar a Corfu de ferry. A principal ligação parte de Igoumenitsa, com travessias frequentes que normalmente levam entre uma e duas horas.
Existem também ferries entre Patras e Corfu, embora essa rota tenha menos frequência.
As conexões marítimas com a Itália e a Albânia ampliam ainda mais as opções para quem está montando um roteiro pelo Mediterrâneo.
De carro
Para quem está viajando de carro pela Grécia continental, uma opção é dirigir até Igoumenitsa e embarcar no ferry para Corfu.
As estradas até Igoumenitsa são bem conservadas e atravessam paisagens da Grécia continental que já valem a viagem por si só.
De ônibus
Também dá para sair de Atenas ou de outras grandes cidades gregas de ônibus até Igoumenitsa e, de lá, seguir de ferry para Corfu.
O serviço KTEL opera essas rotas, uma alternativa prática para quem não quer alugar carro.
De trem
Corfu não tem ligação ferroviária direta. Uma alternativa é viajar de trem até Atenas ou Thessaloniki e, a partir dessas cidades, seguir de ônibus ou outro transporte até Igoumenitsa, de onde dá para embarcar no ferry. A nossa opção foi essa porque estávamos em Thessaloniki. Porém, confessamos que foi um pouco cansativo o trajeto de ônibus. Sempre que possível nós optamos por ferry, já que preferimos evitar aviões em geral.
Chegar a Corfu exige um pouco de planejamento, sim. Mas a própria aproximação da ilha pelo mar já entrega uma prévia do que espera o viajante: montanha surgindo no horizonte, construção antiga, água azul, e aquela sensação de que, por alguns dias, dá para esquecer completamente o relógio.
Ah, só vale um toque para quem está indo pela primeira vez, o verão grego é realmente MUITO quente e em Corfu o sol parece estar ainda mais próximo, rs. Portanto, ao olhar a sua acomodação, verifique se realmente ela tem ar-condicionado, pois fará toda a diferença. Acredite, tínhamos fechado com uma acomodação pelo AirBnB e quando chegamos descobrimos que não tinha ar-condicionado. No final das contas deu tudo certo, mas é um erro que você não vai querer cometer na sua viagem.
