A forma como acompanhamos os desportos tem mudado muito ao longo do tempo. Começamos com o rádio, depois passámos para a televisão a preto e branco, depois para a cor, alta definição, streaming e agora 4K. O próximo grande passo parece ser a realidade virtual (VR).
Imagine usar uns óculos de VR e sentir-se logo na primeira fila de um estádio cheio. Você olha à volta e vê os adeptos a vibrar, os jogadores a aquecer. Quando sai um golo, parece que está mesmo lá. A ideia é que possamos um dia assistir a jogos em realidade virtual de forma quase total, como se estivéssemos fisicamente presentes.
O que é que isto significa na prática?
Não é só ver um jogo com uns óculos de VR normais. Estamos a falar de uma experiência muito imersiva. Poderia escolher onde quer sentar-se virtualmente, mudar o seu ponto de vista a qualquer momento, ver os jogadores de perto, ter acesso a estatísticas em tempo real, até interagir com outros adeptos em espaços virtuais. A sensação espacial seria super realista. E no futuro, podem até simular vibrações e sons para nos fazer sentir ainda mais presentes. O objetivo é que não se limite a ver o jogo, mas sim a senti-lo.
Isto já está a ser testado. Muitas ligas e empresas já estão a experimentar com VR. Algumas transmissões oferecem câmeras a 360 graus, para que possa ver tudo à sua volta. Já há eventos com experiências exclusivas para quem usa VR. As empresas de tecnologia estão a investir muito em criar óculos mais leves, confortáveis e com melhor qualidade de imagem, e espera-se que se tornem mais acessíveis. Além disso, as ligações de internet mais rápidas são essenciais para transmitir imagens de alta qualidade para muita gente ao mesmo tempo.
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Como seria uma final daqui a uns anos?

Imagine que, em vez de ligar a TV, coloca um dispositivo leve, parecido com uns óculos normais. De repente, está num estádio virtual. Poderia escolher sentar-se atrás da baliza, na tribuna de honra, ver do ponto de vista do árbitro, ou até ficar perto do campo. Poderia até rever um lance em câmara lenta tridimensional. Talvez até possa andar virtualmente pelo estádio antes do jogo e falar com amigos de outros países. E tudo isto sem sair de casa.
Será que esta experiência vai ser melhor do que a TV?
Em muitos aspetos, sim. A TV é uma experiência mais passiva, onde recebemos o que a equipa de transmissão escolhe nos mostrar. Com a VR, terá muito mais liberdade para decidir o que quer ver e de que ângulo. Além disso, a inteligência artificial poderá personalizar a transmissão para si. Se gosta de tática, pode receber análises estratégicas em tempo real. Se está interessado nos dados dos jogadores, pode ver a velocidade e a distância que eles percorrem. Esta personalização pode tornar a experiência muito mais rica do que uma transmissão normal.
Os estádios vão continuar a existir?
Provavelmente sim. Nada substitui a emoção de estar fisicamente num estádio, o barulho da multidão, a energia do ambiente. No entanto, a realidade virtual pode tornar os grandes eventos mais acessíveis. Milhões de pessoas que não podem viajar, comprar bilhetes caros ou enfrentar longas distâncias poderão ter uma experiência muito próxima de quem está presente. Em vez de substituir os estádios, a tecnologia provavelmente vai funcionar como um complemento.
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Os possíveis obstáculos
Ainda há alguns obstáculos a superar. Os equipamentos atuais podem ser caros e desconfortáveis para usar por muito tempo. Precisam de ser mais leves, baratos e práticos para chegar a toda a gente. A qualidade das transmissões tem de ser perfeita, com imagens detalhadas e sem atrasos, para que a sensação de presença não seja quebrada por falhas. A infraestrutura de internet precisa de ser muito mais rápida e estável para suportar milhões de pessoas a ver conteúdos em alta resolução. Há também questões sociais, como equilibrar a tecnologia com a interação humana. Alguns especialistas preocupam-se que experiências demasiado virtuais possam diminuir a interação social que torna o desporto tão importante culturalmente.
A inteligência artificial vai ter um papel importante nisto. Poderá gerar estatísticas na hora, criar repetições inteligentes, traduzir comentários em tempo real, fazer resumos personalizados e adaptar a transmissão aos interesses de cada um. No futuro, a IA poderá até recriar digitalmente momentos históricos, permitindo-nos “ver” jogos antigos como se estivéssemos lá.
Assim, a história do desporto e da tecnologia sempre andaram de mãos dadas. O que antes parecia impossível, como ver um jogo no telemóvel em qualquer lugar, hoje é normal. A realidade virtual é o próximo grande passo. Apesar dos desafios técnicos e económicos, tudo indica que as experiências imersivas vão tornar-se mais sofisticadas e acessíveis. Talvez em breve a pergunta deixe de ser “vamos ver jogos em VR?” e passe a ser “por que haveria alguém de ver de outra forma?”.
Mesmo que os estádios continuem a ser o centro do espetáculo desportivo, a realidade virtual tem o potencial de aproximar milhões de adeptos da emoção do jogo de uma forma inédita. O futuro dos adeptos pode estar não só nas bancadas, mas também em espaços digitais que nos transportam para dentro do jogo.
