O terror e o medo dos organismos marinhos têm um nome… Brinicles. São dedos congelados submarinos que se desenvolvem dentro do Oceano, fazendo com que os animais congelem ao passar por eles.
Esses cristais de gelo submarinos que se formam nas águas congeladas das regiões polares (principalmente na Antártida e no Ártico) são conhecidos como “dedos da morte” devido à sua ação mortal sobre os organismos do fundo do mar.
Só por aí você já deve ter percebido que, o “dedo da morte” (cientificamente conhecido como brinicle, das palavras “brine” [salmoura] e “icicle” [cristal de gelo]) é, sem dúvida, um dos fenômenos naturais mais raros e impressionantes do planeta.
Como o Brinicle é formado?
Quando a superfície do mar nos polos congela, o sal não fica preso no gelo, mas é expulso. Isso cria uma água extremamente fria e excessivamente salgada (salmoura), que fica presa dentro de pequenos poros do gelo.
Como essa salmoura é muito mais densa e pesada do que a água do mar ao redor, ela afunda em direção ao fundo do mar. O mais impressionante, porém, é o fato de que, quando flui para baixo, congela instantaneamente a água menos salgada com a qual entra em contato, criando um tubo oco de gelo que cresce para baixo como uma estalactite.
Apesar disso, embora pareça uma estalactite de caverna, internamente é oca e funciona como um condutor natural que, quando toca o fundo do mar, não para. O frio se espalha como um rio de gelo ao longo do fundo, congelando instantaneamente qualquer organismo lento que esteja em seu caminho, como estrelas-do-mar, ouriços-do-mar e caranguejos.
Algo como o Night King de Game of Thrones, que congelava com seu toque tudo o que via à sua frente.
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O dedo da morte foi registrado pela primeira vez em 2011
Embora sua existência fosse conhecida teoricamente desde a década de 1960, ele foi filmado em tempo real pela primeira vez em 2011 pela BBC (para a série Frozen Planet) na Antártida, utilizando câmeras time-lapse.
Teorias sobre a origem da vida

Alguns cientistas sustentam que os brinicles podem ter desempenhado um papel no surgimento da primeira vida na Terra (ou em outros mundos congelados, como Europa, a lua de Júpiter). As concentrações de sais e as paredes de gelo que separam os ambientes criam um ambiente que poderia favorecer as primeiras reações químicas.
Para explicar isso melhor, escreveremos abaixo o processo.
Os materiais básicos de construção (Os “tijolinhos”)
A Terra primordial tinha água, vulcões, raios e gases. Dentro desse ambiente, compostos químicos simples se uniram e formaram aminoácidos e nucleotídeos, que são os “tijolinhos” básicos dos quais são compostas as proteínas e o DNA.
A “parede protetora” (a “casinha”)
Para que a vida fosse criada, esses materiais precisavam permanecer concentrados em um só lugar e não se dissolver no oceano. Foi aí que estruturas como os brinicles (o “dedo da morte”), as rochas porosas ou as fontes hidrotermais submarinas ajudaram, criando pequenas “cavidades” (como pequenos cômodos) e mantendo os materiais químicos juntos, formando as primeiras membranas primitivas.
A primeira “instrução” (o RNA)
Em algum momento, formou-se uma molécula (provavelmente RNA) que possuía uma propriedade única: podia copiar a si mesma. Foi a primeira vez que um composto químico adquiriu “instruções” de reprodução.
A primeira célula (LUCA)
Quando a parede protetora e o RNA autorreplicante se uniram em um sistema estável, nasceu a primeira célula verdadeira. A partir desse único organismo microscópico (conhecido como LUCA – Last Universal Common Ancestor), evoluiu posteriormente toda forma de vida na Terra.
O “dedo da morte” revela uma das mais belas ironias da natureza
A mesma força que congela a vida no fundo do mar pode ter sido aquela que acendeu a faísca da vida no início dos tempos.
Dentro da escuridão eterna dos oceanos polares, essa estalactite congelada permanece como uma ponte fina e frágil entre os dois extremos. Com um de seus toques, provoca a imobilidade instantânea, deixando para trás uma paisagem cristalizada de silêncio.
Com o outro, através de suas minúsculas veias, oferece o abrigo protegido e a energia de que as primeiras moléculas precisam para se organizar, unir-se e ousar dar o salto rumo à existência.
Não se trata, portanto, apenas de um mecanismo mortal do gelo. É um arquiteto ancestral, um símbolo de equilíbrio onde a morte e a vida não são adversárias, mas os dois lados da mesma moeda…
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Uma teoria científica sem provas
No entanto, devemos observar que se trata de uma hipótese científica (teoria) e não de um fato comprovado. É, portanto, sabido que, na ciência da biologia e da química, a origem exata da vida continua sendo um dos maiores mistérios inexplicados.
