Lugar tem igreja construída no meio do mar e você pode visitar! Conheça Sifnos

Sifnos
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Toda lista de “Cíclades além de Santorini e Mykonos” cita uma dúzia de ilhas parecidas, mas poucas merecem tanto a menção quanto Sifnos. À primeira vista, Sifnos pode parecer uma daquelas ilhas escondidas que não mereccem tanto a sua atenção. Porém, acredite, nós fomos à ilha e o que temos para te contar e lá irá fazer você mudar de ideia rapidamente. Quer saber mais? Fique com a gente!

Um pouco mais sobre Sifnos

Sifnos fica nas Cíclades Ocidentais, um grupo de ilhas menos badaladas que reúne também Cítnos, Kea, Serifos, Kimolos e Milos, à qual pertence administrativamente.

Na Antiguidade, o lugar era conhecido por outro nome, Mérope ou Meropia, e a denominação atual vem de Sifnos, filho de um herói de Sounion cujo nome exato os historiadores nunca conseguiram confirmar direito. Detalhe curioso para quem gosta de mitologia grega mal resolvida.

Comece pela cerâmica, porque é impossível andar por Kamares sem esbarrar numa loja cheia de peças de barro. A ilha é famosa por essa arte desde os tempos antigos, graças à argila abundante no solo, e as lojinhas do porto vendem desde item de decoração até lembrança de viagem. O problema é que essa tradição está em risco de desaparecer, já que os jovens da ilha vêm se mudando para os grandes centros urbanos e não há gente nova assumindo os fornos tradicionais.

Sifnos.
As cerâmicas de Sifnos.

A comida de Sifnos

Com a comida a história é bem diferente. Sifnos é terra natal de Nikos Tselementes, considerado o principal chef grego do século 20, e essa herança moldou toda a cultura gastronômica local. Ir até lá e não provar revithada, o grão-de-bico cozido lentamente, seria como visitar Thessaloniki e ignorar a bougatsa.

O mastelo, borrego preparado dentro de uma casca de cerâmica, também é parada obrigatória, principalmente acompanhado do Manoura, o queijo vínico típico da ilha. Vale experimentar o pão de gengibre no café da manhã, e a Loli, torta doce de abóbora cujo nome vem da gíria grega para “louco”, supostamente porque cor e sabor dependem do humor de quem está cozinhando naquele dia.

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As praias de Sifnos

Sifnos.

As praias variam bastante de personalidade. Chrysopigi tem um cabo rochoso que divide a água em dois pedaços menores, Apokofto de um lado e Saures do outro, e ganhou fama mundial pela igreja construída em 1650 bem na ponta da rocha, apontada por muita gente como uma das mais bonitas do mundo, o que explica os casais que escolhem o lugar para casar.

Platy Gialos, ao lado da vila de Faros, é a praia mais cosmopolita da ilha, com mesas de restaurante quase na beira da água. Vathi funciona bem para quem viaja com criança, já que a igreja azul e branca de Taxiarchis separa a praia em setores menores e mais calmos, e atrás dela existe uma vila de pescadores que parece congelada num filme grego antigo.

Kamares, no povoado que também serve de porto, concentra os bares de praia mais animados, além de cafés, restaurantes, locadoras de carro, hotéis e lojas de souvenir.

Duas praias merecem menção por motivos opostos. Vroulidia é onde o sinal de celular simplesmente não chega, exceto por uma cadeira de praia com a marca de uma operadora local, colocada ali de propósito porque é o único ponto onde o sinal pega. E Cherronissos, com seus cais isolados, funciona como um abrigo natural contra a meltemi, o vento forte que castiga as ilhas do Egeu no verão e que costuma virar dor de cabeça para quem não conhece o clima da região.

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A noite e as celebrações locais

Quem topa caminhar encontra trilhas subindo até o Profeta Elias, o pico mais alto da ilha, com 627 metros e vista de 360 graus. No dia 19 de julho acontece ali a festa mais importante do calendário local, com vésperas celebradas no mosteiro do topo, revithada quentinha e música tradicional regando a noite.

À noite, a vida acontece no beco de Apollonia, apelidado de “beco da diversão” e comparado à Matogianni de Mykonos em clima. Ali cabe de tudo, sorvete, gyros, vinho, raki, mesas lotadas de gente jovem até a manhã raiar. Já quem procura romance de outro tipo segue até Kastro, o vilarejo medieval mais bonito da Grécia segundo muita gente que já visitou.

A ocupação remonta à pré-história, mas o povoado que sobrevive até hoje tem raízes no ano de 1635, época do cavaleiro espanhol Giannouli da Coronia, ligado à Ordem dos Cavaleiros de São João. Era uma fortaleza veneziana, daí o próprio nome, “kastro” significa castelo em grego.

Ao lado fica a Igreja dos Sete Mártires, erguida numa rocha isolada e acessível só por uma escadaria de pedra, ponto certo para ver o pôr do sol junto de gente que veio de todo canto do mundo só para isso. Pela manhã o cenário muda de tom, com jovens saltando das pedras direto nas águas esmeraldas lá embaixo.

Sifnos.

Perto dali, o mosteiro de Panagia Poulati impressiona pela arquitetura simples e pelo silêncio, com portas quase sempre abertas ao público. Quem não tem medo de altura sobe até o telhado para fotografar a praia homônima logo abaixo, embora “praia” seja um exagero, é mais um conjunto de rochedos, ótimo para mergulho com snorkel e frequentado também por quem gosta de naturismo.

Setembro reserva outro programa e tanto, o Festival Nikolaos Tselementes, considerado o maior evento gastronômico das Cíclades, realizado na vila de Artemonas. Dura três dias, reúne barracas de todas as ilhas cicládicas na praça central, abre às 19h e solta música e dança a partir das 22h. A entrada é gratuita e a comida nos quiosques também, um detalhe generoso que diz bastante sobre a hospitalidade grega.

Antes de fechar as malas, vale levar de lembrança um fláros, a lanterna de cerâmica que antigamente ficava no topo das chaminés das casas e hoje virou item decorativo símbolo da ilha, ainda produzido nos poucos fornos tradicionais que restaram.

O planejamento de uma viagem à ilha

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A logística exige um pouco de planejamento porque Sifnos não tem aeroporto. O acesso é só de ferry, partindo do Pireu, em Atenas. As embarcações rápidas cobrem os 130 quilômetros de distância em cerca de 3 a 4 horas, enquanto o ferry convencional, mais lento e mais barato, leva de 5 a 6 horas.

O porto fica em Kamares, com ponto de ônibus, praça de táxi e caixa eletrônico logo abaixo do cais. Para hospedagem, Apollonia funciona bem para quem prefere ficar perto de tudo, enquanto Kamares atrai quem busca um clima mais tranquilo. F

ora da alta temporada, é comum encontrar moradores esperando o desembarque dos ferries para oferecer acomodação a quem ainda não reservou nada. Alugar um carro sai por cerca de 28 euros por dia, com agências concentradas logo abaixo do porto em Kamares e também em Apollonia.

A gente acabou alugando carro, pois isso dá bem mais liberdade para explorar a ilha. E, confesso que foi a melhor escolha que fizemos.