Cidade famosa está afundando 2 mm a cada ano que passa; confira

Cássia Alves

fevereiro 26, 2026

A cidade que está afundando 2 mm todo ano
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Imagine que o chão da sua cidade abaixa um pouquinho a cada ano. A princípio, 2 milímetros não parecem nada, mas com o tempo, isso pode dar dor de cabeça com prédios, ruas, esgoto e, claro, a segurança das pessoas. É o que rola em Veneza, na Itália, uma cidade linda e bem vulnerável.

Famosa pelos canais, pontes e construções sobre a água, Veneza luta contra o afundamento do solo há tempos. A média é de 1 ou 2 milímetros por ano, mas, junto com a subida do nível do mar, a coisa fica preocupante.

Por que isso acontece? Dá para resolver?

Por que Veneza “vai para o fundo”?

É uma mistura de causas naturais e o que as pessoas fizeram por lá.

Primeiro, a região onde Veneza foi erguida já era assim. A cidade está numa lagoa, cheia de areia e argila. Esses materiais se apertam com o tempo, fazendo o terreno ceder.

O peso da cidade também ajuda. Mesmo com as construções antigas feitas com cuidado e estacas de madeira bem fundas, a cidade toda faz pressão, e o solo se mexe.

A gente também teve culpa, principalmente no século 20. A água de baixo da terra foi muito usada pelas fábricas, e isso aumentou o afundamento. Antigamente, a cidade afundava bem mais rápido.

Quando viram o problema, as autoridades diminuíram e depois pararam de tirar tanta água. Aí, o afundamento diminuiu também. Só que o processo natural continua.

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Mudanças climáticas entram na história

Além de afundar, Veneza tem outro problema: o nível do mar está subindo. O aquecimento global derrete as geleiras e faz a água do mar aumentar, e isso acontece no mundo todo.

Se juntar o afundamento de 2 milímetros por ano com a subida do nível do mar, o efeito é forte. Parece que a cidade afunda mais depressa.

É por isso que rola a acqua alta, quando a maré sobe demais e invade as praças e prédios, tipo a Praça de São Marcos. Isso tem acontecido mais vezes nos últimos anos.

Dá para fazer a cidade subir de novo?

Essa é a questão.

É difícil mudar a natureza do solo. Depois que ele se apertou, não dá para voltar atrás. Ao contrário de outras cidades que afundam porque tiram muita água do subsolo, Veneza já resolveu boa parte do problema.

O que dava para controlar, já foi: não tiram mais tanta água de lá.

Alguns cientistas tentam injetar água no fundo da terra para tentar levantar o solo. Mas essas ideias são complicadas, caras e perigosas. Por enquanto, não existe um jeito fácil e seguro de fazer Veneza subir de novo.

O jeito é se virar

A cidade que está afundando 2 mm todo ano
Representação do sistema MOSE em Veneza. Foto: Viajantes do Futuro.

Já que não dá para parar o afundamento, o jeito é se acostumar.

Para proteger Veneza, criaram o sistema MOSE. São barreiras que fecham a entrada da água do mar quando a maré está muito alta.

O sistema começou a funcionar em 2020 e já impediu várias enchentes. Ele é caro e complicado, mas é uma das maiores obras para proteger uma cidade da água.

Também estão sempre de olho no solo com satélites e aparelhos que medem até os menores movimentos. Assim, dá para planejar a cidade.

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E daqui para frente?

Veneza virou um exemplo do que acontece com as cidades perto do mar. O problema de lá não é único. Várias cidades, como Jacarta, Bangkok e Nova Orleans, também afundam e, às vezes, até mais rápido.

A diferença é que, em muitos desses lugares, o afundamento acontece porque continuam tirando água do subsolo. Se mudarem as regras, o problema pode diminuir.

No caso de Veneza, é uma mistura de natureza e o que já fizeram por lá. O que fazem hoje ajuda a não piorar, mas a subida do nível do mar continua sendo um desafio.

Uma cidade que luta

Mesmo com tudo isso, Veneza continua de pé, com gente morando e milhões de turistas todo ano. A história da cidade é de superação, desde a construção nas ilhas cheias de lama até as soluções de hoje.

Falar que Veneza afunda 2 milímetros por ano assusta, mas é preciso entender o que está rolando de verdade. O problema existe, dá para medir e estão de olho nele. Não é que a cidade vai sumir amanhã, mas é um processo que precisa de planejamento, dinheiro e cuidado com o meio ambiente.

Veneza é um aviso para o mundo: o que decidimos hoje sobre a natureza e o clima muda o futuro das cidades. E, às vezes, milímetros fazem toda a diferença.